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"A investigação em Acupunctura, desafios e novos paradigmas" por Ana Sofia Pacheco Stephen Birch encontra-se a desenvolver um modelo de investigação da Acupunctura que se apoie em equipas multidisciplinares e que recorra a técnicas de investigação múltiplas, visando a acreditação pública, de seguradoras e da comunidade médico-científica. O especialista, por muitos considerado um dos mais activos do sector, esteve em Portugal para explicar como quer juntar acupunctores e investigadores e aconselhou os portugueses a seguirem o que já se faz lá fora. Acupunctor, professor e também autor de vários livros, incluindo co-autoria no “Acupuncture Research”, Stephen Birch esteve no final de Abril em Lisboa, na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa, para explicar os mais recentes avanços dos seus trabalhos na validação desta terapia. Os resultados e novas perspectivas foram focados durante a palestra “A investigação em Acupunctura, Desafios e Novos Paradigmas”, onde Birch procurou explicar o seu modelo que assenta em equipas multidisciplinares, envolvendo não só acupunctores e investigadores, como também sociólogos e psicólogos. A apresentação do seu trabalho, “Uma perspectiva da Investigação Clínica e Científica da Acupunctura - Fundamentos para um Estudo da Medicina Tradicional Oriental”, iniciou-se com o enquadramento da investigação, nomeadamente, o interesse, os beneficiários e as implicações da sua aplicabilidade. Stephen Birch é da opinião de que uma investigação bem validada pode ter repercussões positivas: - Nos tratamentos (aumentando a sua eficácia e tornando a informação acessível aos doentes); - Na regulamentação dos terapeutas; - No suporte financeiro, permitindo uma maior adesão das instituições seguradoras; - E no reconhecimento e credibilização da acupunctura junto da medicina convencional, com maior poder das entidades de acreditação. Quanto aos tipos de investigação que estão a ser desenvolvidos, Stephen Birch referiu alguns bastante praticados actualmente, esclarecendo as suas limitações. Para as superar, o especialista propõe novas abordagens ou o reforço de algumas já praticadas que trarão uma relação custo-benefício para o orçamento do investigador, bastante equilibrada. Poderão ser feitas com o apoio de escolas, de instituições ou pelos próprios acupunctores. Assim, Birch propõe que a investigação qualitativa (a que engloba a revisão de literatura e entrevistas) seja bastante mais desenvolvida para se encontrarem novos modelos de investigação. Até agora a investigação quantitativa (realizada na área laboratorial), tem sido a mais desenvolvida. Todavia, este método tem encontrado enormes limitações. Apesar de esta contribuir para a credibilização da acupunctura deve ser feita, segundo Birch, com base na teoria e na prática clínica e não cedendo às limitações da metodologia da investigação convencional. Por isso Birch propõe que sejam dinamizados esforços para trabalhos concertados em equipas de terapeutas e a custos muito mais reduzidos, nomeadamente; - Na observação - onde se poderá recolher informação do paciente antes e depois do tratamento; - Na análise da Acupunctura como um acréscimo a um tratamento convencional e conseguindo aferir o seu impacto na progressão da condição do paciente. - Na comparação de um tratamento de acupunctura vs um tratamento convencional – verificando a eficácia e os custos. A investigação convencional tem dedicado bastante atenção aos testes ao efeito placebo. Num estudo, pretende-se extrair a possível componente placebo e verificar a eficácia do tratamento (impacto sobre a energia de auto cura do organismo). Para isso, foi desenhado uma espécie de “tratamento falso” (cuja terapêutica é inadequada), denominado sham. Nos estudos que foram feitos detectou-se que este acaba por ter sempre um efeito na energia da pessoa, não sendo inerte. Nos testes ao efeito placebo também se detectou que este tem efeito sobre a auto-cura. Ou seja, o efeito placebo é inseparável dos do tratamento e a sua análise é difícil. Porém, demonstrou-se que este também interage com outro tipo de tratamentos, que não a acupunctura. Existem ainda outros tipos de investigação, como a revisão sistemática que consiste na realização de conferências que gerem consenso, nomeadamente, aceitação pública, científica e contribuem para uma politica de saúde global. Segundo Birch, esta abordagem tem limitações pois se os estudos desenhados forem fracos, não poderão ser deduzidas conclusões. Para Stephen Birch a investigação tem tido problemas com as experiências que testam a acupunctura devido principalmente a esta ser feita por investigadores que não sabem de acupunctura e/ou por acupunctores que não sabem de investigação. No entanto, existem ainda outras causas para a investigação não ter dado grandes mostras, nomeadamente: - o pressuposto de que a acupunctura é uma intervenção simples, quando está provado de que se trata duma “intervenção complexa”. E esta exige melhores estudos de investigação. - os estudos estão também muito dependentes dos pressupostos do investigador, que ao não conhecer a teoria e a prática exclui certas hipóteses que competem com a inicial. O investigador formula uma teoria de como pensa que o objecto de investigação actua, baseado naquilo que acha que é aceitável e credível. Depois mede e controla apenas os factores que considera relevantes. Consequentemente, o risco é o de que não estejam a testar de facto o objecto, mas sim a sua concepção do objecto. Para Stephen Birch, ainda está para surgir uma metodologia de investigação em acupunctura válida, sendo que primeiro é preciso desenvolver um modelo que seja testável (a investigação qualitativa tem aqui um papel determinante). Seguidamente, hipóteses apropriadas e relevantes têm de ser formuladas e finalmente, métodos apropriados, tecnologia e abordagens têm de ser usadas para testar as hipótesses. Defende o envolvimento dos acupunctores no processo de investigação através de equipas multidisciplinares que usem múltiplos métodos de investigação. Esta palestra foi gentilmente cedida por Stephen Birch, no intuito de promover em Portugal informação e esclarecimento nesta área. A Escola Superior de MTC encontra-se a dar os primeiros passos com os seus recém formados professores doutores. Convidado pelos Especialistas de MTC Ana Sofia Pacheco e Lourenço de Azevedo, o encontro inseriu-se no programa de fim-de-semana do curso de acupunctura japonesa, ministrado pelo próprio Stephen Birch. Esperam-se contactos futuros entre todas as partes, com o intuito de se estabelecerem as primeiras fundações para o estudo da Medicina Tradicional Chinesa e investigação dirigida. (Artigo publicado na Revista Natural, nº 81, Junho de 2008)
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