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Tai Chi - Forma a dois
Dança de Tai Chi
Uma linguagem de consciência corporal mútua
A Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa iniciou, em Abril, aulas de Dança de Tai Chi para Duas Pessoas.

Destinatários : Pessoas dedicadas à dança, às artes marciais ou simplesmente desejosas de aprender um sistema de movimento a dois
Horário: Segundas e Quartas, das 20h00 às 21h00
Local: ESMTC
Preçário:
Mensalidade:
1x por semana/Individual: 50 euros
1x por semana/Par: 80 euros
Aulas avulso: 15 euros
Os interessados poderão experimentar uma aula gratuita (não é necessário efectuar marcação).
Professor Manuel Silva,
Começou aos 6 anos a praticar ginástica desportiva e acrobática no Sporting e, a partir dos 11 anos até à actualidade, frequentou aulas de Kung Fu e Tai Chi com o Mestre Wu Xuan e outros professores.
Em 1993 iniciou os seus estudos de dança na Escola de Dança do Conservatório Nacional concluindo o curso em 2001. Neste mesmo ano recebeu uma bolsa de estudo pelo Instituto Português das Artes do Espectáculo como complemento de formação em Nova Iorque.
Trabalhou com várias companhias de dança, nomeadamente, Amalgama, Ce.De.Ce, Ultima Vez, Charleroi Danse Companie.
Funda o espaço M na ESMTC, onde inicia o seu trabalho como coreógrafo com as seguintes peças: Só Solo, Solos 1=1+3+12+132, ÉHORA, Comboio da Vida, Fragilidade H, Manifesto ID, Inacção e Nijinski ou o Sentimento.
É membro fundador da P O E S I S – Associação Cultural.
Inscrições na Secretaria da ESMTC, ou através dos contactos gerais da ESMTC.
Sobre a Dança de Tai-Chi
T.T. Liang, um dos Mestres de Tai Chi de maior renome fora da China, compôs a Dança de Tai-Chi para duas pessoas, com 175 posturas, há já várias dezenas de anos. O objectivo deste sistema de treino de Tai Chi a dois é a aquisição de capacidades relativas ao uso da energia intrínseca,ou jin, num contexto de auto-defesa contra terceiros e de defesa contra si mesmo – da precipitação, do nervosismo, da agressividade em excesso.
As formas para duas pessoas são o culminar da arte do Tai Chi e precedem imediatamente a prática do combate livre. Como T.T. Liang repetia aos seus alunos, esta prática é fundamental para os estudantes desta arte: [sem isso] “apenas conhecereis metade da arte e sereis incapazes quer de desenvolver o Qi quer de vos defenderdes num momento de emergência”.
Na sua juventude, Liang, um alto funcionário das alfândegas sob o governo de Chiang Kai Shek, contraiu uma grave doença em Taiwan. Com um prognóstico de seis meses de vida, perseverou na prática do Tai Chi e, a pouco e pouco, recuperou a saúde. Vinte anos mais tarde, em 1963, foi convidado pelo famoso professor de Tai Chi, Cheng Man-Ch’ing, (criador da Forma de 37 Movimentos) para o acompanhar até Nova Iorque, para traduzir e ensinar nas Nações Unidas. Daí deslocou-se para Boston, onde começou por ensinar no exterior do seu apartamento de uma única divisão.
Enquanto vivia em Taiwan, empenhou-se em encontrar professores que conhecessem as diferentes formas avançadas de Tai Chi, as formas para duas pessoas executadas com um parceiro. Liang, cortando com a norma cultural de estudar apenas com um “Mestre”, aprendeu com cada professor a sua forma particular para duas pessoas. Mais tarde, como se se tratasse de peças de um puzzle, juntou todas as formas de San Shou, Ta Lu e Pushing Hands que aprendeu, numa sequência única de 175 posturas. Para evitar que os estudantes usassem a força e competissem entre si durante a execução conjunta deste exercício, recordou a sua experiência dos salões de baile de Shanghai, num período em que aí trabalhou como funcionário ao serviço dos ingleses. Desenvolveu uma abordagem inspirada na dança, graças à inclusão de música e tempos para marcar o ritmo da execução. Isto evitava que o praticante se focasse na ideia ou intenção de lutar, permitindo a sua concentração no desenvolvimento das suas capacidades de Tai Chi. Liang insistia, ainda, que o conceito de dança é importante, mesmo essencial, para a compreensão do Tai Chi Chuan. Este é, na verdade, uma dança de opostos.
Segundo a lenda, o criador do Tai Chi, Chang San Feng, acordou certa manhã e viu um pássaro e uma cobra a lutarem do lado de fora da sua janela. Verificou com admiração que nenhum deles conseguia ganhar vantagem sobre o outro. A graça e a subtileza desta dança interactiva impressionou-o vivamente. Os movimentos de cada animal espelhavam os do outro. Quando um atacava o outro imediatamente neutralizava o golpe com uma parte do seu corpo enquanto, simultaneamente, atacava com outra parte. Para Chang San Feng esta dança era uma expressão perfeita da interacção do “Yin e Yang”, simbolizada no Tai Chi Tu. Foi a partir desta “dança” que ele desenvolveu uma arte marcial de movimentos redondos e circulares, com ênfase na consciência dos atributos duros e suaves, de acordo com as variações do Yin e do Yang.
Quando o estudante de Tai Chi, graças à prática continuada dos movimentos lentos e graciosos de uma forma a solo, adquiriu um bom enraizamento (equilíbrio central), o passo seguinte é aprender a mover-se e interagir com um parceiro. Pode então inserir, nos seus respectivos contextos, os movimentos que praticou na forma a solo, os quais são o vocabulário básico da linguagem do Tai Chi. Transformar esse vocabulário numa conversação é a dança de Tai Chi para duas pessoas. Os participantes entram em diálogo um com o outro. Um movimento iniciará e porá em movimento o seguinte, de forma que se desenvolve uma linguagem de consciência corporal mútua.
Através da suavidade e da capacidade de recuar, são agora trabalhadas as capacidades, fundamentais no Tai Chi, de Ouvir, Interpretar e Aderir em relação a um parceiro real.
Apesar de os registos indicarem a existência de métodos de treino para duas pessoas desde o século XIII, nunca se tornaram verdadeiramente públicos até aos meados do séc. XX, quando a primeira explicação detalhada acerca deles veio de um estudante da família Yang, Chen Kung (ou Yearning K. Chen). Segundo refere, o seu livro baseia-se em registos e notas dos manuais de treino originais da família Yang. Aí são descritas três categorias diferentes de exercícios para duas pessoas: Pushing Hands (T'ui Shou), Greater Rolling Back Hands (Ta Lu Shou) e Dispersing Hands (San Shou). Praticado individualmente, cada um destes sistemas era originalmente utilizado para o desenvolvimento de certas capacidades específicas.
A contribuição de T.T. Liang para esta história foi a sua combinação destes métodos tradicionalmente separados de treino a dois num único exercício por ele designado Dança de Tai Chi para Duas Pessoas. Ele aprendeu o San Shou original em 88 posturas do estilo Yang com Hsiung Yang-Hou (que estudou com Yang Shao Hou) em Taiwan. A isto Liang acrescentou o Pushing Hands e também incluiu os exercícios do Greater Roll Back, os quais lhe foram ensinados por Wang Yen-nien (que estudou com Chang Ch'in Lin) e Cheng Man-Ch'ing (que estudou com Yang Cheng Fu).
Liang acrescentou outra importante dimensão ao estudo dos exercícios a dois ao incluir ritmos e tempos. Ao estudar e ensinar os exercícios do San Shou verificou que os estudante não resistiam à tentação de usar força uns em relação aos outros. A maioria das vezes a prática degenerava numa bravata competitiva em vez de ser um exercício sensitivo. Para obviar a isso criou este sistema, no qual os parceiros se podem centrar no intricado dos seus movimentos sem se preocuparem com perder ou ganhar. Onde não há a preocupação de se proteger a si mesmo cada um pode concentrar-se, em vez disso, nas qualidades do movimento, na posição do corpo e no equilíbrio. Desenvolver as suas capacidades com uma atitude calma, através da repetição, assegura ainda que o estudante não desenvolverá maus hábitos.
“Introduzi ritmo para que as posturas possam ser praticadas com música, devagar, sem esforço e de forma sustentada, para criar a coordenação do corpo e da mente. Uso o termo “dança” para que o estudante o associe imediatamente com relaxamento e divertimento. Se eu lhe chamasse Boxe Tai Chi, então toda a gente ficaria agressiva e quereria lutar.” (T.T. Liang)
(Extraído e adaptado do livro The Tai Chi Two-Person Dance – Tai Chi with a Partner, with photographs of T.T. Liang, de Jonathan Russell, North Atlantic Books, Berkeley, California)
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