Evidência da Medicina Tradicional Chinesa na Saúde Humana nos Tempos Modernos


Evidência da Medicina Tradicional Chinesa na Saúde Humana nos Tempos Modernos por Ana Maria Varela e José Faro

in Burguete et al. (2020) “Knowledge & Society Through Science Matters & Universities”, Lisboa: Science Matters Press, pp. 211-232.

 

A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) representa milhares de anos de experiência fértil e valiosa de actividades promotoras de saúde, cuja teoria continua a dar um contributo importante para o desenvolvimento da China e para a saúde da humanidade. A MTC é uma cultura científica e humanista. Não é uma ciência natural simples, nem uma ciência humanista simples, mas uma combinação das duas.

A MTC evoluiu como um sistema de prática médica baseado em conceitos axiomáticos de cariz funcional, bem comprovados pela experiência, que ligam o homem à natureza e às suas características dialécticas. Não inclui protocolos de tratamento padrão, específicos para cada patologia “ocidental”, mas iguais para todos os diferentes pacientes. A prática clínica da MTC é uma abordagem holística complexa, mas personalizada na sua aplicação, sempre em ajustamento cognitivo às particularidades do paciente e do seu contexto, baseando-se nos conceitos de Dialéctica e de “Diferenciação de Síndromas”.

Esta apresentação irá discutir alguns factos sobre o processo histórico, social e científico da MTC nos tempos científicos modernos, e a sua contribuição para uma compreensão mais profunda das diferentes experiências culturais e abordagens das Ciências Humanas, Sociais e Médicas.

Na primeira parte, o conceito de evidência da MTC nos seus diferentes aspectos – humano, histórico, social e científico – será abordado tendo em conta a forma como se está a desenvolver no actual período da história da MTC. Na segunda parte, o objectivo é lançar uma luz sobre a contribuição da MTC para a Ciência moderna e quais os desafios que esta apresenta para o seu desenvolvimento.

1. Introdução

Na comunidade médica moderna e, nomeadamente, nas ciências relacionadas com a saúde, existe uma pressão constante para aumentar a qualidade da investigação, que justifica e mede a eficácia das decisões tomadas pelos profissionais. A importância deste assunto, na prática clínica actual, iniciou-se com a chamada de atenção dada pela investigação de Archie Cochrane (1971) para a falta de padronização dos cuidados médicos e a não utilização de dados de investigação nas decisões clínicas (Cochrane A. 1971). Na sequência destes trabalhos epidemiológicos, os clínicos são aconselhados a: avaliar criticamente a melhor evidência hierárquica disponível para uma patologia real; aplicar os resultados judiciosamente a cada paciente; substituir a medicina baseada na ciência básica (Fisiopatologia), experiência pessoal e autoridade dos pares pela hierarquia de provas e directrizes da medicina baseada na evidência.

Desta chamada de atenção nasceu o movimento da medicina baseada na evidência (Grupo de Trabalho 1992; David L Sackeit, 1996) o movimento da prática baseada na evidência (Briggs & Rzepnicki, 2004; Brownson et al., 2002; Dawes et al., 1999; Dobson & Craig, 1998a, 1998b; Gilgun, 2005; Roberts & Yeager, 2004; Sackett et al., 2000) e a tomada de decisão em política pública com base na evidência analisada por McCaughey e Bruning (2010).

Apesar dos trinta anos de desenvolvimento do movimento da evidência, poucas decisões em matéria clínica, social, educacional e de política pública seguem as suas indicações. Na medicina, o Nível A (Strength of Recommendations Taxonomy), baseado em ensaios clínicos aleatórios controlados (RCT) e revisões sistemáticas justifica, apenas, 18% das decisões tomadas em cuidados primários de saúde, enquanto aproximadamente metade se baseia na opinião de peritos, cuidados habituais ou evidência orientada para a doença (Nível C) (Ebell M.H. et al. 2017).

Para além disso, as Terapêuticas não Convencionais (TNC-designação legal portuguesa) ou as Medicinas Tradicionais e Complementares (TCM-designação actual da WHO,2019) que apresentam um Nível C (Health Evidence Scale, 2012, escala adoptada pela Direcção Geral de Saúde, DGS), são escolhidos por um número crescente de cidadãos europeus, incluindo os portugueses. Garrow J.S. (2007) assinalou que 15-20% do público no Reino Unido acede anualmente às TCM.

O presente estudo procura dar uma resposta às seguintes questões:

  • O que é a evidência no passado e no presente? Qual é a estrutura comum da evidência em diferentes ramos do conhecimento?
  • Qual é a relação entre a ciência e a evidência
  • Como é que a evidência se desenvolveu na medicina?
  • E o que é a evidência na Medicina Tradicional Chinesa?

2. O que é a Evidência?

A palavra evidência tem a sua origem na palavra latina evidentia (clareza, visibilidade) que expressa a qualidade ou condição do que se torna visível e se manifesta do interior para o exterior (prefixo ex-, de um interior para um exterior). A palavra é formada a partir do verbo videre (ver). Para Aristóteles, a evidência é a característica própria do conhecimento no seu máximo grau, ou seja, do conhecimento alcançado pelo intelecto intuitivo. Para Descartes e para os cartesianos, a evidência corresponde à realização de uma verdade que não levanta dúvidas, devido ao grau de clareza e distinção com que se apresenta ao espírito.

O apelo à evidência tem, no início, um papel inegável na matemática e foi mais tarde assumido por alguns filósofos como o critério geral da verdade. Contudo, a definição de evidência de Descartes, apresentada na primeira regra do seu “Discurso do Método” é hoje rejeitada por ser subjectiva, diferente de indivíduo para indivíduo. Esta rejeição corresponde também a uma crise de evidência em matemática no século XIX devido à descoberta da geometria não-euclidiana. Esta descoberta demonstrou que é possível aceitar postulados não baseados na intuição mas como resultado de um acto de vontade, uma convenção.

Hoje em dia, na Ciência, não existe verdade absoluta ou evidência, mas sim verdade relativa e evidência definida dentro de paradigmas bem estruturados. A Ciência só pode providenciar verdades relativas, sempre parciais e sempre passíveis de revisão. Ainda que esta verdade relativa e esta evidência sejam sempre dinâmicas, para que possam ser falsificadas, enriquecidas, transformadas e possam também ser um ponto de partida para novas observações da realidade (Geymonat L. 1985).

2.1 Qual é a estrutura da evidência?

A estrutura da evidência em diferentes campos tem três fases principais: A fase de observação e interpretação da realidade; a fase de discussão comunitária e de decisões sobre a evidência e a fase do estabelecimento da fiabilidade da evidência de acordo com as indicações dos peritos.

Na primeira fase, há uma observação e interpretação da Realidade. Esta interpretação necessita; a) um sistema teórico anterior sem o qual os dados da observação não poderiam ser compreendidos em toda a extensão do seu significado e b) um método para operar no mesmo. A Ciência pode ser vista como uma ferramenta cognitiva para operar na Realidade porque:

  • É um processo onde o sujeito individual não é totalmente independente;
  • Não utiliza sempre os mesmos instrumentos técnicos ou categorias a priori;
  • Não se fixa numa representação da realidade, mas é dinâmica e dialéctica (adaptado de Geymonat L. 1985).

Portanto, a Ciência é um instrumento de conhecimento gradual da realidade dos fenómenos. A realidade como fenómeno significa que ela não transcende o mundo da experiência. Neste processo, existe um carácter dinâmico do conhecimento científico que se manifesta ao longo de duas linhas de orientação:

  • A aquisição permanente de novos dados (obtidos por técnicas de observação cada vez mais complexas e refinadas)
  • O aprofundamento dos resultados anteriormente obtidos, principalmente o resultado da elaboração teórica, um novo enquadramento dos antigos conceitos e novos modelos.

Tudo isto afecta a fase de observação e interpretação da estrutura da evidência, reflectindo o processo dialéctico entre a experiência e os modelos teóricos.

Na segunda fase, a evidência, nos tempos modernos, necessita da contribuição de uma comunidade de discussão para partilhar resultados ou para estabelecer directrizes ou indicações.

Existe uma terceira fase quando há necessidade de estabelecer leis ou regulamentos relacionados com a fiabilidade da evidência nas tomadas de decisões em saúde.

2.2 Conceito de especialização e especialismo

A ciência e a evidência reflectem também o movimento de especialização da investigação científica. Esta especialização dá ao investigador a possibilidade de uma rápida aprendizagem das técnicas aplicadas ao seu campo de prática. E, portanto, de tirar imediatamente partido do trabalho de investigação sem grande perda de energia. Por outro lado, com a especialização, é também criada uma nova linguagem cada vez mais especializada. A tecnicidade e a especialização das linguagens são duas características importantes do desenvolvimento da ciência nos séculos XIX, XX e XXI.

Contudo, esta especialização no domínio da Saúde pode resultar em especialismo, uma ideologia com quatro problemas principais:

  1.  O encerramento dos cientistas na sua disciplina com mais dificuldade em abraçar a realidade e a sua vasta gama de factores que contribuem para a saúde individual e colectiva.
  2.  A utilização da própria ciência, ou do processo cognitivo que opera na realidade de uma forma cada vez mais estreita, com mais erros de raciocínio e imaturidade no processo de pensamento.
  3. Com o especialismo, a ciência afastou-se da cultura, intrinsecamente ligada à filosofia, a cultura separou-se da ciência, ou seja, torna-se uma cultura de carácter antigo, insensível às exigências do nosso tempo. De acordo com Elio Vittorini (citado por Geymonat, 1985) a cultura baseia-se sempre na ciência, contem a ciência, mas quando a ciência se fecha sobre o seu próprio especialismo e se recusa a ter uma ligação séria com os problemas reais, não impulsiona a cultura.
  4. Finalmente, a última consequência que resulta da anterior é que a ciência em vez de impulsionar a cultura e a humanidade separa o homem da sua consciência de bem-estar, um promotor fundamental da sua própria saúde.

Se a ciência se fecha numa realidade particular, perdendo a sua ligação à cultura, a evidência segue este especialismo. O problema não é a especialização, mas o especialismo. A especialização não perde a ligação à cultura nem ao lado humano e ao indivíduo global, e, neste caso, a evidência é determinada pela comunidade de especialistas num determinado paradigma. Se há especialismo, há uma ideologia que não olha para a condição ou paradigma individual e estabelece uma hierarquia geral de evidência que determina, por exemplo, que o RCT (um nível de evidência da literatura de investigação) é o melhor e único critério de graduação aceite para a evidência numa decisão em saúde e que as TCM têm de ser banidas do Sistema de Saúde e da humanidade. Esta posição é semelhante ao Cepticismo no século XVIII.

3. Qual é a relação da Ciência com a Evidência?

É importante esclarecer que a ciência é diferente da evidência. A ciência é uma ferramenta cognitiva, dinâmica e operacional para interpretar a realidade e a evidência é uma declaração de tomada de decisão por uma comunidade, baseada num sistema teórico de um paradigma estabelecido.

3.1 O que é a evidência na Ciência?

Os quatro pilares fundamentais da ciência são Hipótese, Experimentação, Verificação e Universalidade. O método científico é intrínseco à raça humana e ao seu desejo de aprendizagem. A natureza e o contexto do problema e o cálculo do erro associado à sua universalidade é o que requer métodos mais precisos.

A evidência resulta do confronto entre a hipótese e a verificação. Na Medicina e na MTC, este confronto deve ser feito em contexto clínico pelo médico tendo em conta as melhores evidências disponíveis e os desejos e valores do paciente.

3.2 Quais são os desafios para a evidência na Ciência?

Contudo, o pilar 4 é na realidade a chave se entendermos “universalidade” como “coerência universal”. A ciência ocidental sempre afirmou progredir como 1, 2, 3 (nessa ordem), mas de facto o 4 é o conceito mais importante e o que conduz às maiores dificuldades da ciência ocidental (Connerade, J-P, 2019). Assim, a física moderna (depois de muito 1,2,3) chegou basicamente a duas teorias. Uma, que se chama Teoria Quântica (principalmente para sistemas pequenos ou ‘microscópicos’) e a outra que se chama Relatividade (principalmente para sistemas grandes, de que é exemplo a astronomia). Ambas as teorias satisfazem muito bem o 1,2,3 dentro das suas próprias e respectivas esferas, mas não concordam, realmente, uma com a outra, especialmente no que diz respeito à descrição do espaço em que vivemos. De acordo com a Relatividade, Espaço e Tempo juntos formam uma entidade única, dentro da qual tudo é contínuo e suave. De acordo com a Mecânica Quântica, o tempo é diferente do espaço: não devem ser confundidos, e o espaço no qual vivemos não é contínuo ou suave, mas apresenta um comportamento “quântico”. Se considerarmos a física como uma ciência “exacta” e a máxima conquista da forma ocidental de pensamento científico, então temos de admitir que esta abordagem, até agora, falhou no critério número 4 de ser universalmente aplicável e coerente. Esta foi a substância, na opinião da Connerade J-P. (2019) para se abrir o caminho à consideração da abordagem oriental em qualquer tipo de ciência.

A estratégia 1, 2, 3 precedida ou seguida por 4 aplica-se realmente a sistemas bastante simples, razão pela qual a física ocidental se concentrou na explicação de situações “simples”. Por conseguinte, foi uma surpresa para muitos quando o teórico francês Henri Poincaré, em 1894, mostrou que um sistema anteriormente pensado como ‘simples’ constituído apenas por três corpos, é de facto caótico. Um sistema caótico é aquele que não é totalmente previsível: mesmo que as suas condições iniciais sejam bem conhecidas, a sua evolução no tempo torna- se tão sensível que se perde o controlo sobre o seu rumo. Se as previsões não puderem ser feitas com precisão, então, eventualmente, a hipótese não pode ser verdadeiramente verificada, pelo que este é outro problema interno da abordagem ocidental descrita.

Na medida em que o corpo humano é um sistema MUITO complexo, a medicina entra num campo onde uma verificação completa é difícil de imaginar e isto levou à necessidade de uma abordagem probabilística ou estatística. Mas os instrumentos ocidentais, juntamente com a sua tendência tradicional de isolar uma única molécula e doseá-la como “cura” para uma única condição, estão de facto a utilizar um instrumento filosófico bastante contundente como quadro conceptual. Na prática, os médicos consideram que cada paciente pode precisar de uma dose diferente e de uma abordagem multidisciplinar (de facto, foi discutida a diferença entre testar em homens e testar em mulheres para a determinação da dose ideal, o que a farmacologia ocidental, por exemplo, não tomou realmente em consideração).

Assim, parece claro que a lógica do método científico precisa de evoluir de modo a reflectir melhor o que é eficaz em todas as ciências. Isto é provavelmente mais aparente na medicina, como se observa, e é sem dúvida a consequência da complexidade do corpo humano. Dito isto, existem algumas condições (arteriosclerose, por exemplo) em que uma única “causa” pode ser isolada mesmo num sistema complexo. Mas na maior parte das condições de saúde é importante ter um diálogo entre as duas abordagens, oriental e ocidental, para encontrar as melhores soluções porque a abordagem oriental integra as abordagens micro e macro no seu sistema teórico.

4. Como é que a evidência se desenvolveu na medicina?

A investigação do epidemiologista Archie Cochrane salientou que os cuidados médicos não utilizavam os dados da investigação nas decisões clínicas e que havia uma necessidade urgente de uma padronização dos processos clínicos básicos em todos os sistemas de saúde (Cochrane A. 1971). Cochrane também encoraja os médicos a aplicar as novas tecnologias e os resultados da investigação na sua prática clínica. Após a sua morte foi desenvolvido um enorme sistema de investigação clínica na medicina moderna e uma pressão crescente sobre os clínicos para:

  • Avaliarem criticamente a melhor evidência disponível para a patologia presente em análise.
  • Aplicarem os resultados, judiciosamente, a cada paciente.
  • Substituirem a medicina baseada na ciência básica(fisiopatologia), experiência pessoal e autoridade dos pares pela hierarquia da evidência e pelas directrizes da medicina baseada na evidência.Fig 1- Pirâmide da Qualidade da EvidênciaPara ajudar os médicos a encontrar as melhores evidências para as suas decisões clínicas e informar o paciente e os decisores políticos onde se desenvolveram níveis de força de evidência. No topo da hierarquia probatória está o ensaio controlado randomizado-ECR ou RCT (Fig. 1), no qual um tratamento é comparado com uma alternativa e no qual os pacientes são aleatoriamente atribuídos a um de dois grupos. Seguem-se estudos de acompanhamento, estudos de caso-controlo, relatórios de casos e séries de casos respectivamente como níveis probatórios inferiores, com as opiniões dos peritos bem na base.

A medicina baseada na evidência (MBE) é definida como “a utilização consciente, explícita e judiciosa das melhores evidências actuais na tomada de decisões sobre os cuidados de pacientes individuais”. (Sackett, 1996). A medicina baseada na evidência abriu novas fronteiras a diferentes áreas dentro do sector dos cuidados de saúde, trabalho social e educação, conhecido como movimento de prática baseada na evidência.

Os princípios baseados na evidência também foram aplicados às decisões da Governação da Saúde por um movimento denominado decisão racional na saúde.

Assim, a MBE foi desenvolvida para encorajar os médicos a elaborarem um plano de tratamento baseado numa interpretação crítica da literatura científica e este movimento levou ao desenvolvimento de directrizes por grupos profissionais. Contudo, na década de 90, estas directrizes baseadas no consenso dos profissionais, mudaram para directrizes baseadas em provas estatísticas. Seguidamente os Gestores de Saúde e os Seguros de Saúde começaram a aplicar as directrizes e a desenvolver as suas próprias estruturas de responsabilização. Para além do processo de desenvolvimento, os profissionais não só perderam a sua participação na elaboração das directrizes de evidência, como também passaram a poder ser julgados e a perderem o emprego caso não sigam as directrizes de evidência estabelecidas (Council for Public Health and Society, 2017).

Assim, a MBE afastou-se da prática clínica directa do médico em mais dois modos (Conselho de Saúde Pública e Sociedade, 2017):

  • Primeiro, a MBE é feita por analistas especializados que se concentraram em fazer os RCT e a publicar os resultados. Estes analistas não têm sensibilidade relevante para a prática clínica.
  • Em segundo lugar, a indústria farmacêutica começou a patrocinar muitos dos RCT feitos por estes analistas e a utilizar esta pesquisa, principalmente, para descobrir novos medicamentos.

 

O desenvolvimento da MBE ficou, assim, enclausurado numa grande variedade de interesses e perdeu a luz directora inicial. Após quase quarenta anos de desenvolvimento da MBE, 82% das decisões clínicas baseiam-se na opinião de peritos, nos cuidados habituais ou em provas orientadas para a doença e apenas 18% se baseiam na MBE.

O Council for Public Health and Society of Nederland, em 2017, faz uma declaração muito clara sobre a MBE com o título “No evidence without contexto – Sobre a ilusão da prática baseada na evidência nos cuidados de saúde” e estabelece recomendações muito importantes para deslocar o movimento da MBE para o contexto clínico, devido à importância do contexto específico, do doente e do cenário onde as várias fontes de conhecimento são utilizadas como base para as decisões que são tomadas.

5. O que é a evidência na MTC?

A MTC desenvolveu um sistema teórico inseparável da sua origem sociocultural, da sua longa experiência clínica e, hoje em dia, da influência das ciências naturais e da tecnologia moderna. Este desenvolvimento está também ligado a um profundo respeito, observação e estudo da natureza e do comportamento humano, e a um processo de pensamento sofisticado.

O sistema teórico da MTC baseia-se em três teorias principais: A teoria do monismo, ou Qi primordial; A teoria do Yin Yang; e a teoria dos Cinco Dinamismos.

A Teoria do Qi Primordial sustenta que o Qi (geralmente traduzido como Energia) forma a raiz de todos os fenómenos. O Qi não é uma ilusão vazia, mas percebê-lo depende da capacidade de cada um. É uma substância em constante movimento e em vários graus de concentração e difusão, dando assim origem às duas categorias de fenómenos, com e sem forma.

Não existe um fosso intransponível entre o fenómeno que tem forma e o sem forma, e os dois podem, a qualquer momento, transformar-se no seu oposto. A geração, mudança, fortalecimento e enfraquecimento de qualquer fenómeno está dependente do movimento e transformação do Qi.

A teoria do Yin Yang olha para o desenvolvimento e mudanças no mundo natural como o resultado dinâmico da interacção entre Yin Yang, diametralmente opostos. Cada um destes componentes tem a raiz do outro e é a base da manifestação do outro. É utilizada como metodologia para explicar a estrutura e as actividades vitais do corpo humano – dinamismo (yang) e inércia (yin) – com as suas relações de oposição, interdependência, inter-transformação, aumento e declínio, ressonância e coordenação. A teoria Yin Yang é também um dos principais guias para o processo de diagnóstico e tratamento.

A teoria dos 5 Movimentos divide qualquer fenómeno em cinco tipos diferentes de dinamismo, cada um apresentando as características especiais consideradas inerentes ao seu próprio movimento. As suas relações mútuas de geração, controlo e transformação estão ligadas às outras duas teorias, Qi primordial e YinYang. Juntas, formam um ciclo interminável entre o indivíduo e o mundo natural, um modelo dinâmico holisticamente interligado do mundo fenomenológico, e uma das principais chaves conceptuais para o diagnóstico diferencial específico da MTC.

Originária do processo de pensamento dos chineses ancestrais, a MTC apresenta características especiais no seu processo cognitivo e científico que são, também, inerentes às suas operações sobre a realidade. As suas operações lógicas não são formais, como em Aristóteles, mas dialécticas, como em Heraclitus ou Marx. Este facto conduz à sua visão holística das leis da vida, à diferenciação dialéctica das actividades da vida, ao movimento atribuído às coisas materiais em constante mutação e à inter- relação persistente entre a natureza e a vida social humana. Estas características constituem um paradigma maduro com axiomas e teorias consistentes que atravessam muitas gerações diferentes e mantêm uma coerência conceptual estável e resultados clínicos eficientes. Tem também integrado as descobertas científicas modernas e a evolução técnica nas ciências da saúde.

Este pensamento maduro, que utiliza métodos consistentes de observação e interpretação da realidade, desenvolveu um método consistente de diagnóstico, conhecido como diagnóstico diferencial, que é a base da estratégia terapêutica em Acupunctura, Medicina herbal, Massagem Tuina, Dieta, Chi Kung terapêutico e Tai Chi, e aconselhamento de estilo de vida.

Esta antiga ciência provou ser adequada para impulsionar a cultura e a vida humana durante milhares de anos, com resultados clínicos tão importantes que justificaram a sua prática ininterrupta até hoje.

A sua teoria tem demonstrado uma forte vitalidade na aplicação do seu diagnóstico às doenças comuns modernas, às doenças difíceis e também ao proporcionar processos de pensamento poderosos para a investigação médica futura. As suas vantagens clínicas são também aplicáveis à prevenção de muitas doenças modernas (Wang Qi e Dong Zhi Lin, 1992).

5.1. A estrutura da evidência na Medicina Tradicional Chinesa

A evidência clínica da MTC não diz respeito a uma verdade absoluta ideal, mas a uma verdade relativa devidamente definida dentro de um paradigma dialéctico bem estruturado, neste caso o paradigma da MTC, referindo-se sempre a um contexto clínico particular. Assim, a evidência científica da MTC visa apenas fornecer as melhores verdades relativas, sempre adaptáveis durante a evolução do tratamento, para assegurar um ajustamento dinâmico e oportuno ao contexto clínico do paciente e, como tal, ser capaz de ajudar o paciente real a transformar a sua própria realidade e o dinamismo patológico individualizado da sua doença.

Há outra característica da evidência da MTC: baseia-se num elevado nível de consciência focalizada e numa relação de empatia para com o paciente. Isto significa que a evidência de MTC está principalmente relacionada com o contexto e a realidade do paciente, o que também significa um processo contínuo de actualização da avaliação, de acordo com a aprendizagem mútua e com a melhoria da condição do paciente alcançada em conjunto.

 

Fig 2 – A estrutura da evidência da MTC

Assim podemos dizer que a estrutura da evidência científica da MTC é uma interacção contínua entre quatro referências complementares (Fig.2): os axiomas do paradigma da MTC (central), a fase de observação-interpretação (1-2), a fase de reflexão e discussão (3) e a

aplicação clínica, centrada sempre na resposta do paciente, na escuta do seus valores e impressões, na avaliação e medida das suas respostas funcionais, variáveis, ao tratamento (4), de modo a poder avaliar a evidência própria da MTC e ajustar adequadamente a prática clínica ou os desafios da investigação (5).

Contudo, nos tempos modernos, a fim de estabelecer directrizes para apoiar a decisão em saúde, em todas as sociedades e em diferentes sistemas de saúde, a OMS desenvolveu uma definição de evidência que é diferente e tem implicações nas Medicinas Tradicionais (MT) em geral.

De acordo com a OMS “A evidência diz respeito a factos (reais ou declarados) destinados a serem utilizados para apoiar uma conclusão”.

Um facto, por sua vez, é algo conhecido através da experiência ou da observação. Uma implicação importante deste entendimento é que a evidência pode ser utilizada para apoiar uma conclusão, mas não é a mesma coisa que uma conclusão. A evidência por si não faz a decisão (OMS, 2013).

Também segundo a OMS, os critérios de evidência da Medicina Tradicional informam sempre as opiniões dos especialistas, e a utilização adequada dessa evidência requer a identificação dos factos (experiência ou observações) que constituem a base das opiniões. É também necessária uma avaliação da extensão da medida em que os factos apoiam as conclusões. A OMS também diz que nem todas as provas são igualmente convincentes, e abre a porta aos juízos sobre quanta confiança pode ser depositada em diferentes tipos de provas resultantes de estatísticas e de análise de cientistas que ignoram o paradigma da MTC.

Assim, é importante que os investigadores e os profissionais de MTC unam esforços para estabelecer linhas directoras de evidência científica de MTC baseadas no contexto clínico e dentro do paradigma de investigação da MTC. Com excepções, a investigação não deve dar prioridade aos grandes Ensaios Clínicos Randomizados (RCT), de aplicação difícil à MTC, por esta ser demasiadamente holística e centrada na pessoa para se enquadrar bem nesse método de investigação. Os RCT também conduzem a um tipo de resultados gerais e abstractos cuja aplicação, frequentemente, não se aconselha pela dificuldade em se adaptarem às especificidades inerentes à prática clínica real.

5.2. Tipos de evidência na MTC

Podemos dizer que existem quatro tipos principais de evidência com o mesmo nível de interesse e importância clínica na MTC, todos relacionadas com o seu contexto sócio-cultural e processo de pensamento:

1. A evidência histórica, relacionada com as teorias e conceitos de MTC utilizados por centenas de gerações. De acordo com o Relatório Global da OMS sobre Medicina Tradicional e Complementar (2019), existem 98 Estados membros com uma política nacional para as Medicinas Tradicionais e 75 com um Instituto Nacional de Investigação dedicado a estas Medicinas. A MTC está a ser utilizada em 100 países. Actualmente, há um número crescente de investigação sobre as bases teóricas, o diagnóstico, as terapêuticas da MTC e a sua aplicação nos tempos modernos;

2. As evidências tradicionais referem-se a evidências documentais relacionadas com a utilização de uma substância medicinal, ou uma terapia de MTC durante três ou mais gerações para um fim específico relacionado com a saúde ou com a medicina. Actualmente, existem processos de investigação que visam estabelecer as principais directrizes sobre as evidências necessárias para apoiar as indicações das medicinas complementares reconhecidas, incluindo a MTC (Governo australiano, 2019);

3. A evidência social refere-se à satisfação comprovada e à procura de MTC no mundo, no passado e no presente. O último Relatório Global da OMS (citado acima, 2019) assinala que 88% dos membros da OMS utilizam Medicamentos Tradicionais, incluindo MTC. No domínio da saúde pública existem também diferentes tipos de investigação envolvendo factores jurídicos, sociais e económicos sobre como e de que forma a MTC contribui para a prevenção de doenças e o desenvolvimento da saúde humana, bem como para o desenvolvimento social e económico em diferentes países;

4. O último tipo de provas está relacionado com a literatura de investigação clínica de MTC e refere-se à eficácia de uma intervenção para alcançar um resultado que criará mudanças duradouras na saúde da população. Estas provas são geralmente publicadas na literatura científica, como em revistas profissionais, livros, ou relatórios governamentais. Actualmente, há um número crescente de investigações para estabelecer as directrizes de investigação em diferentes disciplinas da MTC – Acupunctura, Fitoterapia e Terapêutica de Chi Kung e Tai Chi entre outras (Extensão SPIRIT-TCM 2018), por vezes de acordo com o contexto e a prática da medicina baseada na evidência, sozinha ou em comparação com os tratamentos da medicina ocidental, ou integrada com outras abordagens, como é indicado pelas directrizes da OMS sobre a evidência da MTC (OMS, 2000).

Para a MTC as ciências humanas e naturais modernas, como a vida moderna em geral, constituem um desafio contínuo à inovação, à compreensão dos novos métodos de investigação, às novas descobertas científicas e às novas tecnologias, de acordo com a sua influência na saúde funcional humana e na vida natural, e operando com ela, tanto quanto possível, dentro do sistema teórico e da forma de pensar da MTC.

Para a ciência moderna, tem sido uma surpresa ver os diferentes tipos de confirmação das antigas teorias da MTC, bem como um desafio para criar a sua própria forma de compreender a sua exactidão e consistência, em diferentes domínios da prevenção e terapêutica da saúde.

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  15. Juan Wang et al (2016) Current Status of Standardization of Traditional Chinese Medicine in China in Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, vol. 2016.6.https://dx.doi.org/10.1155/2016/9123103.
  16. Junchao Chen et al (2017) The Characteristics of TCM ClinicalTrials: A Systematic Review of ClinicalTrials.gov. https://doi.org/10.1155/2017/9461415.
  17. McCaughey and Bruning (2010) Rationality versus reality: the challenges of evidence-based decision making for health policy makers Implementation Science 2010, 5:39 doi: 10.1186/1748-5908- 5-39
  18. Sackett, D. (1996) Evidence based medicine: what it is and what it isn’t. BMJ. https://www.bmj.com/content/312/7023/71.full
  19. Zhang et al (2018) Evidence-based Chinese medicine: theory and practice. PubMed – NCBI (Abstract) Jan;43(1):17. doi: 10.19540/j.cnki.cjcmm. 20171127.001
  20. Wang Qi and Dong Zhi Lin (1992) New Practical Syndrome Differentiation of TCM. TCM Material for Advanced Training Courses. China Ocean Press. HongKong.. ISBN 7-5027-1880-x/R.26
  21. WHO (2000) General Guidelines for Methodologies on Research and Evaluation of Traditional Medicine. WHO/EDM/TRM/2000.1 https://www.who.int/activities/implementation-of-the-WHO- traditional-medicine-strategy-2014-2023

Evidence special research in:

Acupuncture

1. McDonald, J. & Janz, S. (2017) The Acupuncture Evidence Project – A Comparative Literature Review. Brisbane: AACMA. Commissioned by
Australian Acupuncture and Chinese Medicine Association Ltd, 2017: https://www.acupuncture.org.au.

2. Birch, S. et al (2018) Overview of Treatment Guidelines and Clinical Practical Guidelines That Recommend the Use of Acupuncture: A Bibliometric Analysis, JACM. https://www.liebertpub.com/doi/10.1089/acm.2018.0092.

Herbal Medicine

1. McClure, L. et al. (2016) Scoping the Evidence for the Effectiveness of Herbal Medicines – a Selective Review on the behalf of the European Herbal Januay to November 2013. European Herbal Medicines Professional Associations. EHTPA. https://rchm.co.uk/resources/Scoping_the_Evidence_Base_for_Herbal _Medicines.pdf

Tai Chi and Chi Kung Therapeutics

1. Solloway MR et al (2016) An evidence map of the effect of Tai Chi on health outcomes. Systematic Reviews (2016) 5:126 DOI 10.1186/s13643-016-0300-y

 

Ana Maria Varela is a professional clinic specialist of TCM and Teacher in ESMTC, since 1998 with a Master in Traditional Chinese Medicine Clinics (Herbal Medicine) and TCM bachelor degree by Nanjing University of Medicine. It has also an experience of western scientific knowledge with a PhD in Exercise and Health from UTL / FMH; a Post-graduation on Epidemiology and Statistical Multifactorial Analyse by the FML/ UL and 18 years of Teaching different subjects in the Faculty of Human Movement at FMH/UTL. Since 2001 has been in the Direction Border of the Professional Association of Acupuncture and TCM (APAMTC). Email: anaesmtc@gmail.com

José Manuel Faro obtained the bachelor’s degree in Philosophy in 1978 in the University of Lisbon; in 1986 the Acupuncture and Natural Medicine Diploma at the Lisbon Naturist Medical Institute; in 1991 Professional Post-Graduation in Education; in 2006 the PhD in Acupuncture, Moxibustion and Tui Na at Nanjing University of Chinese Medicine, (Popular Republic China).

Since 1992 has been co-director, administrator, lecturer and clinical practitioner at Lisbon School of Traditional Chinese Medicine (ESMTC). In 2001 has been co-Founder of the Professional Association of Acupuncture and TCM (APAMTC) and President of APAMTC Board of Directors – 2001/2004, 2004/2007, 2007/2010, 2010/2013, 2013/2016, 2016/2019.

From 2005 to 2008 and from 2014 to 2018 he was nominated as TCM representative at the Consulting Board for the regulation of Non- Conventional Therapeutics – Portuguese Ministry of Health. Since 2014 he is the President of the General Assembly of the Portuguese Federation of Medical Tai Ji and Qi Gong, and since 2016 Vice-president of the Preventative Medicine Committee of WFCMS – World Federation of Chinese Medicine Societies. Email: deolindajose0@gmail.com

Autores:

Prof. Doutora Ana Varela e Prof. Dr. José Manuel Faro, 2020 in Burguete et al. (2020) “Knowledge & Society Through Science Matters & Universities”, Lisboa: Science Matter Press, pp. 211-232.

Este artigo encontra-se em versão inglesa na publicação “Knowledge & Society Through Science Matters & Universities” que se encontra à venda em: https://www.amazon.co.uk/dp/B087LXPSQG/ref=cm_sw_em_r_mt_dp_U_z.QPEbK80S9VG

Clarisse Isabel da Costa Menezes


Habilitações académicas

Instituição de ensino superior – Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa
Unidade orgânica – Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa Categoria: Professor adjunto
Área em que é reconhecido como especialista (CNAEF): Outras atividades de saúde humanas
Grau académico: Mestre
Área científica deste grau académico: Especialidade Transdisciplinar de Sexologia
Instituição que conferiu este grau académico: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa
Ano em que foi obtido este grau académico: 2010

Outros graus académicos ou títulos

2018 – Curso Medicina Tradicional Chinesa ESMTC
2010 – Mestrado Sexologia Humana ULHTL
2004 – Licenciatura Enfermagem ESJPN
2004 – Licenciatura Enfermagem ESJPN

Atividades científicas

Menezes, C. (2010). Parto e pós-parto, impacto sobre a sexualidade do pai. (ISBN: 1647-4147)
Menezes, C. (2010). Instinto Maternal: Inato ou Adquirido. (ISBN: 978-989-96617-1-4)
Menezes, C. (2010). Luto Gestacional. (ISBN: 978-989-96617-1-4)
Menezes, C. (2010). Depressão pós-parto. (ISBN: 978-989-96617-1-4)
Menezes, C. (2010) Comunicação Intrauterina. (ISBN: 978-989-96617-0-7)

Atividades de desenvolvimento de natureza profissional de alto nível (atividades de desenvolvimento
tecnológico, prestação de serviços ou formação avançada) relevantes para os ciclos de estudos leccionados

Formadora / Coordenadora Curso de Saúde na ESCO (2011-2015)
Colaboração na orientação e avaliação de estudantes de Cursos de Licenciatura em Enfermagem da escola de Leiria (2005-2010)
Colaboração na orientação e avaliação de estudantes de Cursos de Licenciatura em Enfermagem da Escola Superior Enfermagem Lisboa. (2005-2010)
Colaboração na orientação e avaliação de estudantes de Cursos de Licenciatura em Enfermagem da Escola Superior de Saúde Cruz Vermelha Portuguesa. (2005-2010)
Colaboração na orientação e avaliação de estudantes de Cursos de Licenciatura em Enfermagem da escola Superior De Enfermagem Artur Ravara (2005-2010)

Experiência profissional relevante

Prestação de Cuidados de Enfermagem gerais em Traumatologia e Ortopedia
Prestação de Cuidados de Enfermagem gerais à Grávida; Puérpera; RN e Utentes do foro Ginecológico e Família.
Urgência/ Atendimento permanente de adultos e crianças.
Cuidados de Enfermagem a Doente Crónico com Patologia Renal
Operacionalização da Comissão de Controlo de Infeção

Distribuição do serviço docente

Anatomofisiologia – I Medicina Tradicional Chinesa TP 14H
Anatomofisiologia – II Medicina Tradicional Chinesa TP 14H
RSU – Medicina Tradicional Chinesa TP 11H
Primeiros Socorros e SBV – Medicina Tradicional Chinesa TP 10H

Diagnóstico em MTC – A Voz


De acordo com os 4 princípios do Diagnóstico em Medicina Tradicional Chinesa, os vários sentidos do Especialista de MTC são mobilizados e colocados ao serviço para se apurar a situação e condição do Paciente desde o momento em que ele entra no Consultório.

Assim, o Tacto é usado para a Tomada do Pulso, Palpação dos meridianos e pontos de acupunctura, a Visão para a observação da Língua e da Tez e Semblante do paciente, o Olfacto permite percepcionar o cheiro da pele, suor, hálito do paciente e a Audição para avaliar quaisquer ruídos que possam ser emitidos (internamente) e também pelo Som da voz.

 

Hoje vamo-nos concentrar nessa descoberta: o que nos pode dizer a Voz do Paciente para o Diagnóstico em MTC?

O Som

  • Uma voz forte e clara indica um padrão de Excesso
  • Uma voz fraca e baixa indica um padrão de Deficiência
  • Falta de vontade de falar indica um padrão de Frio e de Vazio
  • Fala incessante indica um padrão de Calor

Voz rouca ou perda de voz

  • O início agudo de voz rouca indica Invasão de Factor externo Vento, em especial se há dor de garganta e está vermelha
  • Voz rouca permanente indica Doença interna como Vazio Qi ou Yin do Pulmão
  • A perda de voz gradual indica Vazio de Qi ou Yin do Pulmão

Voz alta com discurso incoerente

  • Esta padrão é geralmente acompanhado por uma questão emocional que indica Calor a perturbar o Shen

Associação da Teoria dos 5 Elementos com a Voz

  • Grito significa um desequilíbrio do Fígado
  • Riso constante significa um desequilíbrio do Coração
  • Choro contínuo, queixume, tristeza significa um desequilíbrio do Pulmão
  • Gemido significa um desequilíbrio do Rim
  • Canto associa-se ao Baço

Tosse

Tossir está habitualmente relacionado com a capacidade do Pulmão dispersar e fazer descer o Qi do Pulmão, resultado da inversão ou rebelião do Qi “correcto” do Pulmão

  • Pieira do pulmão geralmente é mucosidade ou catarro no Pulmão
  • Tosse alta e forte indica Padrão de excesso no Pulmão
  • Tosse fraca e baixa indica Padrão de deficiência
  • Tosse seca indica Calor e Secura no Pulmão
  • Tosse produtiva com pequenas quantidades de expectoração pegajosa indica calor a secar os fluidos

Respiração

  • Respiração alta e forte indica um padrão de Excesso
  • Respiração curta, fraca ou dificuldades em respirar pode indicar Debilidade a nível do Rim na função de segurar o Qi. Isto pode explicar uma condição de Asma.
  • Respiração alta e pesada com preferência por expiração indica Factores patogénicos retidos no Pulmão, também pode incluir condição de Asma.

Suspiros Frequentes

  • relaciona-se com Estagnação Qi do Fígado

Soluços

  • relaciona-se habitualmente com rebelião Qi do Estômago

Borborismos

  • relaciona-se habitualmente com Vazio Qi do Baço ou Vazio Yang do Baço, se houver fezes moles e dilatação abdominal.
  • Pode-se dever a Estagnação Qi Fígado a afectar os Intestinos

Fontes:

Macciocia, Giovanni, O Diagnóstico em MTC

Sacredlotus.com, TCM Diagnosis by Listening (and Smelling) – One of the 4 Pillars

Autoria

Equipa ESMTC, 2021

Raiva – a Emoção do Elemento Madeira


O Fígado pertence ao Elemento Madeira cuja estação é a Primavera. É na Primavera que as flores nascem, que a vida, lentamente, começa a brotar do seu hibernamento. A raiva entendida como impulso para a acção é a força motriz da criação da vida. A iniciativa e o dinamismo realizador permitem-nos ultrapassar os obstáculos que encontramos no decurso da nossa existência. 

Regulamento Passatempo – I Ching


Regulamento Passatempo

Que mensagem tem o Universo para mim hoje ?

O presente regulamento tem por objetivo estabelecer as regras gerais de participação nos passatempos, organizado através do Instagram e Facebook, pela ESMTC – Escola de Medicina Tradicional Chinesa, com o número de identificação fiscal 502933399 para a Live “Que mensagem tem o Universo para mim hoje?”.

  1. Passatempo ESMTC

1.1- Designa-se por “Passatempo I Ching ” o evento promocional promovido pela ESMTC na sua página do Instagram e Facebook, com o objetivo de premiar participantes que cumpram na íntegra as suas regras e condições de participação.

1.2- A participação pressupõe o conhecimento e a aceitação integral e sem reservas das condições deste regulamento e seus eventuais aditamentos e modificações.

1.3- Neste passatempo os participantes terão de comentar no post que anuncia a Live e o passatempo, através da rede social Instagram e Facebook, identificando(tag) de dois amigos. Cada utilizador poderá participar uma vez desde e terá de identificar utilizadores diferentes.

1.4- Os vencedores serão sorteados pela aplicação Social Gest.

1.5  O passatempo encerra até as 13h do dia 18 de Fevereiro de 2021.

1.6 O prémios serão atribuídos na Live dia 18 de Fevereiro às 18h30.

  1. Condições de Participação

2.1- Qualquer utilizador do Instagram e Facebook, maior de 18 anos poderá participar no passatempo.

2.2- A ESMTC reserva-se o direito de solicitar a participação em direto na Live para e  entrega do prémio, sob pena de desclassificação e anulação de quaisquer prémios que lhe tenham sido atribuídos.

2.4- Não poderão participar nos passatempos quaisquer colaboradores da ESMTC.

 

  1. Participação

3.1- A participação nos passatempos está limitada a uma participação por pessoa.

3.2- Caso o mesmo participante apresente mais do que uma participação, será apenas considerada a sua primeira participação publicada no “mural” da página do passatempo.

  1. Meios de participação proibidos

4.1- Serão desclassificados do passatempo todos os participantes que apresentem as suas respetivas participações fora do prazo estabelecido para esse efeito, que não reúnam as condições necessárias de participação previstas no presente regulamento, bem como aqueles que violem qualquer disposição do mesmo.

4.2- Serão automaticamente desclassificados todos os participantes que recorram à criação de perfis fictícios, designadamente mediante recurso a endereços de emails fictícios ou a dados de registo falsos, imprecisos ou incompletos, bem como aqueles participantes que recorram a estratégias e mecanismos impróprios para ganhar, designadamente mas sem limitar, os participantes que recorram a mecanismos de manipulação ou supressão de dados, através de programas informáticos e que sejam suscetíveis de alterar quaisquer resultados, de forma a favorecê-los relativamente aos demais participantes.

4.3- Serão, ainda, automaticamente desclassificados os participantes que:

a) procedam à publicação de qualquer tipo de mensagem de spam (publicidade não desejada) ou provoquem qualquer tipo de flood (repetição de mensagens idênticas) no mural da página do passatempo;

b) recorram a qualquer método técnico ou pedido de ajuda que não se coadune com o espírito de Fair-Play que pauta os Passatempos da ESMTC, designadamente, mas sem limitar, a mecanismos de troca de votos (vote Exchange) ou a quaisquer programas ou scripts suscetíveis de os favorecer em detrimento dos demais participantes (hacking / cheating);

c) procedam à publicação de quaisquer comentários no mural da página do(s) passatempo(s) de índole religiosa, política ou étnica e/ou que utilizem linguagem obscena, insultuosa ou ofensiva.

4.4- Nos casos previstos no número anterior a ESMTC eliminará, do mural da página do passatempo, todas as participações dos participantes desclassificados, reservando-se ainda o direito de excluir os participantes em causa da página da ESMTC no Instagram e Facebook.

  1. Prémio

5.1- Interpretação de uma Pregunta colocada ao I Ching pela Sofia Lobo Cera

5.2 – O direito ao prémio do passatempo é pessoal e intransmissível, não sendo remível em dinheiro. O vencedor do passatempo não será ressarcido se, por motivos alheios à ESMTC, não puder usufruir do prémio que eventualmente lhe assista.

5.3 – Os participantes autorizam a ESMTC a divulgar os seus nomes e o resultado dos passatempos na página ESMTC no Instagram e Facebook.

  1. Responsabilidade

6.1- A ESMTC pode a todo o tempo, livremente cancelar este passatempo em curso, sem que desse facto resulte qualquer obrigação de indemnizar ou de compensar, por qualquer forma que seja, qualquer participante.

6.1 Todos os conteúdos disponibilizados pelos participantes no âmbito dos passatempos serão da exclusiva responsabilidade destes, pelo que em nenhuma circunstância poderá a ESMTC ser responsabilizada por aqueles conteúdos, bem como por quaisquer danos que os mesmos causem, designadamente, à imagem, reputação e/ou ao bom nome de terceiros.

6.3- A ESMTC não se responsabiliza, ainda, pela utilização, no âmbito dos passatempos, de qualquer conteúdo eventualmente protegido, designadamente, por direitos de autor, sendo a utilização destes conteúdos da responsabilidade exclusiva dos participantes.

6.4- A ESMTC não será igualmente responsável pela impossibilidade de participação em qualquer passatempo devido a falhas, erros de rede ou mau funcionamento do site do Instagram, nem se responsabiliza por quaisquer registos perdidos, atrasados ou não entregues a que estas anomalias deem eventualmente origem.

  1. Dados pessoais

7.1- Ao participar no passatempo, os participantes consentem no tratamento e processamento informático dos seus dados pessoais pela ESMTC. A omissão ou inexatidão dos dados fornecidos pelo seu titular são da sua única e inteira responsabilidade, tornando-se automaticamente inválida a sua participação no passatempo e consequente possibilidade de atribuição de prémio, sem que lhe seja devida qualquer indemnização.

7.2- A recolha dos dados no âmbito do passatempo ESMTC realizado através do Instagram e Facebook destina-se exclusivamente à gestão de participações no passatempo, designadamente para efeitos de registo dos vencedores de cada passatempo e das suas respetivas classificações, bem como para efeitos de atribuição e entrega de prémios.

7.3- A ESMTC garante aos participantes do passatempo os direitos de acesso, retificação e cancelamento dos seus dados pessoais facultados, mediante a apresentação de pedido através do endereço eletrónico esmtc@esmtc.pt

 

  1. Autorizações

8.1 – Os participantes autorizam, desde já, a ESMTC a publicar, para quaisquer fins publicitários e/ou de divulgação de iniciativas ou passatempos, por si, realizados e por quaisquer meios que entenda adequados, o resultado do passatempo.

8.2 – Sem prejuízo do disposto noutras disposições do presente regulamento , ao participar no passatempo , os participantes autorizam expressamente a ESMTC a livremente utilizar todos os conteúdos que venham a disponibilizar no âmbito da sua participação, designadamente autorizam a ESMTC a reproduzir e/ou exibir quaisquer vídeos, imagens e/ou frases da autoria dos participantes em quaisquer comunicações, atividades publicitárias e/ou promocionais, destinadas a divulgar iniciativas organizadas pela ESMTC ou por quaisquer das sociedades suas associadas, sem que a esse título possa ser exigido à ESMTC qualquer remuneração, contrapartida ou qualquer compensação.

Lisboa 16 de Fevereiro de 2021

Moxabustão | Como aplicar no Ponto 36E “Zu San Li”


Moxabustão no Ponto 36E – Meridiano do Estômago

O ponto de Acupuntura 36 do Meridiano do Estômago (36 E) é muito conhecido na aplicação da Moxabustão, aplicada de forma indireta, para melhorar a longevidade e prevenir doenças.

A prevenção de doenças (Mi Bing em chinês) é uma componente essencial da Medicina Tradicional Chinesa. Um dos métodos simples para promover a saúde e uma sensação geral de bem-estar é usar Moxabustão no Ponto 36E.

Localização do Ponto

O Ponto 36 do Meridiano do Estômago (Zu san li) está localizado no músculo tibial anterior e a sua largura é de um dedo lateralmente à margem da tíbia.

Como encontrar?

  1. Por palpação, localizar a margem inferior da tuberosidade da tíbia e, a partir desse local, medir a largura de um dedo em direção lateral.
  2. Medir 4 dedos abaixo da rótula, na parte externa da perna. E pedir horizontalmente um dedo na face externa.
  3. Outro método de localização é colocar a palma da mão sobre a rótula e o dedo anelar cai na depressão onde está localizado este Ponto.  Note-se que é uma zona com maior sensibilidade à pressão.

Indicações

O Ponto 36 do Meridiano do Estômago é o “Zu San Li“, isto é ,“Pernas de 3 Milhas” e também conhecido como o Ponto das 100 doenças.

Fortalece o Baço e o Estômago, tonifica o Qi e o Sangue, regula a circulação de Qi e Sangue, fortalece o Qi da Alimentação (Gu Qi) e o Qi Defensivo (Wei Qi), remove a Humidade, dissipa o Frio patogénico externo, regula o Qi puro ascendente e o Qi turvo descendente, trata a inversão da circulação de Qi, estabiliza a Mente (Shen) e as emoções.

Usa-se este Ponto para aumentar a resistência, acumular energia, melhorar a digestão e estimular o sistema imunitário. É o ponto do elemento Terra no meridiano do Estômago (também elemento Terra), por isso tem uma grande influência na construção das bases da saúde e da digestão. Em algumas escolas de Medicina Tradicional Chinesa, existe a noção de que construir a “terra” de um indivíduo é a raiz ou núcleo para começar a recuperar a saúde em todos os outros sistemas do corpo.

Como proceder?

 

Material necessário: Bastão, isqueiro e copo de vidro com sal ou apagador de Moxa. Veja mais detalhes no nosso artigo Moxabustão | Introdução – Poderei fazer em casa?

Manter o bastão de Moxa aceso aproximadamente 5 minutos a uma distância de 3 a 5 cm do Ponto 36E. Fazer em ambas as pernas. Verifique os níveis de calor para que seja confortável e não muito forte pois segurar o bastão de Moxa muito perto pode resultar em queimaduras. A Moxabustão deve ser quente, suave e o calor concentrado deve ser relaxante ou calmante. Cinco minutos por dia no 36E em cada perna é suficiente para obter benefícios para a sua saúde.

Pode usar a técnica de aproximar a afastar ou manter à mesma distância até sentir o calor na zona.

No final, tenha por perto o apagador ou o copo com sal e empurre a ponta do bastão em profundidade e deixe ficar até apagar e ficar sem fumo.

Curiosidade

O Ponto 36E também é usado na instituição de caridade MoxAfrica que usa a Moxabustão como tratamento em aldeias africanas. Em específico usa a Moxa no 36E como parte do processo para ajudar a tratar a tuberculose resistente a medicamentos.

 

Compilação: Equipa ESMTC 2021

Fontes:

Site Aurazen

Energy Boosting Acupressure: Stomach 36 ‘Leg 3 Miles’

Planet Herbs

Como cuidar do Pulmão


Como pode cuidar do Pulmão? No dia Mundial da Pneumonia e no contexto da pandemia por Covid-19, relembramos vários conselhos à luz da MTC para cuidar deste órgão tão importante, responsável pela respiração, oxigenação e dispersão do Qi e não só.

A pneumonia, infecção potencialmente grave do Pulmão, pode ser contagiosa, através de tosse ou espirros, colocando em risco de vida os doentes e todos os que possam estar em contacto com quem tem a doença. A pneumonia é uma das principais causas de morte em crianças menores de cinco anos, apesar de ser evitável e tratável.

Sobre o Pulmão (Fei)

O Pulmão é um órgão sólido. Segundo a teoria Zang-Fu apresenta características Yin, pertencente ao Elemento Metal e associado ao Intestino Grosso. Segundo a MTC, o Pulmão:

  • Governa o Qi e a respiração
  • Faz a comunicação entre o organismo e o meio ambiente
  • Controla os canais e os vasos sanguíneos
  • Controla a dispersão e a descida do Qi
  • Regula a passagem das águas e dos fluidos corpóreos
  • Regula todas as atividades fisiológicas
  • Controla a pele, os pêlos e os espaços entre a pele e os músculos
  • Abre-se no nariz e manifesta-se na pele
  • Abriga a alma corpórea (Po)
  • Emocionalmente, o Pulmão abriga a tristeza

O papel do Pulmão é, assim, o de estabelecer um limite entre o mundo interior e o exterior. O ambiente interno deve ser protegido por um limite claro que defenda e defina a pessoa. Através deste limite, materiais vitais podem ser incorporados e excretam resíduos.

Meridiano ou Canal do Pulmão

Meridiano bilateral, com 11 pontos, pertencente ao Elemento Metal. Também denominado como Taiyin da Mão, pois o seu trajeto é pelo abraço e termina na mão, onde faz ligação com o Meridiano associado à víscera Intestino Grosso.

Imunidade e Eliminação

Assim, na MTC os Pulmões são mais do que o sistema respiratório – relacionam-se com o intestino grosso e desempenham um papel importante na inspiração e expiração, na necessidade de viver uma vida saudável. Ao nível físico, a fronteira com o mundo começa na pele – o maior órgão do corpo – o que nos ajuda a inspirar e expirar pelos poros. Sob a pele, a energia pulmonar ajuda a circulação sanguínea, o que consideramos a camada defensiva do corpo contra fatores patogénicos externos.

O órgão associado ao Pulmão é o Intestino Grosso e sua principal função é liberar e eliminar. Juntos, o Pulmão e o cólon estão relacionados à imunidade através da força da camada externa protectora da nossa pele. Geralmente, os agentes patogénicos externos entram mais facilmente pelos sistemas respiratório e digestivo, e o pulmão e o cólon são responsáveis ​​por manter a função desses sistemas. Segundo a Medicina Chinesa, a energia defensiva do corpo depende diretamente da força do pulmão e do cólon.

A energia pulmonar abundante é visível através de forte energia física. Há uma sensação de suavidade e plenitude no peito. No estado saudável do Pulmão, a imunidade é forte, a recuperação da doença é rápida e eficaz, a pele está hidratada e a tez é brilhante e fresca.

A postura corporal é outra expressão física do estado do Pulmão; portanto, uma postura forte mostra energia pulmonar saudável. Se a saúde do pulmão estiver fraca, ela apresentará baixa energia e um sistema imunológico deficiente. A respiração pode ser superficial e a pele pode parecer lesada porque a energia e a circulação sanguínea deverão ser fracas. Além disso, emoções na forma de tristeza são expressões da energia pulmonar.

Como nutrir o Pulmão com a Fitoterapia chinesa

RAIZ DE GINSENG – O Ginseng é considerado especialmente nutritivo para os pulmões, pele e estômago. Diz-se que o ginseng humedece e arrefece os pulmões, tornando-o particularmente útil para quem tem tosse seca. O ginseng americano é melhor do que o ginseng asiático para este fim, pois o ginseng americano é considerado um tónico Yin que é refrescante por natureza. O Ginseng asiático é um tónico Yang que tende a ser quente por natureza.

ASTRAGALO – O Astragalo é uma das ervas chinesas mais usadas para fortalecer e tonificar a energia e o sistema imunológico. Na Medicina Tradicional Chinesa, pensa-se que o astragalo desenvolva imunidade para nos proteger de agentes externos. O astragalo é mais útil para aqueles que frequentemente sofrem de resfriado ou gripe, têm dificuldade em respirar (como asma) e tendem a suar demais ou não o suficiente.

COGUMELO CORDYCEPS – Tradicionalmente, este cogumelo medicinal usa-se para fortalecer os pulmões fracos naqueles que exerciam alta energia respiratória, como atletas. Também é recomendado para aqueles que sofrem de fraqueza pulmonar crónica e para aqueles que tendem a tossir, têm pieira e falta de ar. Além disso, possui uma capacidade natural de resistir a uma ampla variedade de bactérias, fungos e vírus patogénicos.

SCHISANDRA – Schisandra ajuda a manter os pulmões húmidos. Isso é feito através da retenção de líquido pulmonar limpo. É melhor para pessoas com função respiratória fraca, como pessoas com asma e sibilo.

Como fortalecer o Pulmão através da Dietética

Alimentos que crescem em contacto direto com o ar –  folhas verdes , vegetais frescos, sementes e grãos germinados. Proteínas de legumes e carne branca, laticínios não processados ​​(de cabra e ovelha), alimentos picantes (como alimentos fermentados, nabos, rabanetes), alimentos cor branca (couve-flor, pastinaga, amêndoa, daikon, maçã, pêra, arroz, aveia, sementes de sésamo, cebola, alho e pimenta branca).

Como fortalecer o Pulmão através do Chi Kung

Vários são os exercícios que poderão tratar e trabalhar o Meridiano do Pulmão. Deixamos aqui 2 vídeos, um do Sistema dos 18 Movimentos que tem vários dos Movimentos indicados para o reforço e tonificação do Pulmão e o Ba Dua Jin, usado na China para tratamento e recuperação da Covid-19.

 

 

Hábitos de Vida 

Respirar bem – A melhor maneira de apoiar a saúde dos pulmões é respirar bastante ar fresco, desenvolvendo a respiração para expandir a capacidade física dos pulmões. Isso pode ser feito através de treino de respiração, respiração consciente, ou exercícios suaves, como nadar e caminhar. O alongamento também ajuda a expandir a energia pulmonar.

Banho de sol –  O banho de sol moderado (15 a 20 mins / dia) nutrirá a pele, sem sobre-exposição que pode ser prejudicial.

Respeitar-se – Emocionalmente, o respeito nutre o Pulmão.

Limpar o seu espaço – Tire um tempo para limpar ao seu redor. Limpe os cantos da sua casa. Limpar o ambiente literalmente proporciona uma sensação de ar fresco.

Escovar a pele a seco – Alimente a pele com uma escovagem a seco. Isso manterá a saúde da pele e apoiará o sistema imunológico.

Despir –  Ocasionalmente, ficar nu ajuda a pele a respirar e melhora a saúde dos pulmões

Fontes e imagens utilizadas: 

https://www.revistasaberesaude.com/como-cuidar-de-seus-pulmoes-de-acordo-com-a-medicina-chinesa

https://www.youtube.com/user/EscMedicinChinesa

https://acupuntura.wiki.br/zang-pulmao-fei

https://www.greenmebrasil.com

Equipa ESMTC, 2020