Glossário de Fitoterapia – as Propriedades das Plantas


Se não souber o que significam certos termos das propriedades das plantas, este GLOSSÁRIO vai ajudar muito. Consulte-o.

 

Adstringente, que aperta e contrai os tecidos: avenca, agrimónia, pé-de-leão, medronheiro, loureiro-de-Sto. António, eufásia, morangueiro, hera-terrestre, nogueira, salicária, tormentilha, carvalho-alvar, sarça.

Analgésico, que acalma a dor: salsa, bolsa-de-pastor, absíntio, artemísia, maravilha, macela.

Antidiarreico, que combate e corta a diarreia: alho-comum, salicária, tormentilha, salsa, arandanol.

Antiespasmódico, que acalma os espasmos: mil-em-rama, erva-Luísa, macela-romana, alcaravia, macela, hortelã-pimenta, sálvia.

Antihelmíntico, sinónimo de vermífugo, que actua contra as lombrigas intestinais: cebola, alho-comum, absíntio, nigela, artemísia, serpão, tomilho.

Antipirético, que combate a febre: carlina, angélica, ulmária, salgueiro-branco, sabugueiro, azevinho.

Aperitivo, que abre e aumenta o apetite: absíntio, centáurea-menor, genciana, trevo-d’água, mil-em-rama, angélica, artemísia, alcaravia, hortelã-pimenta.

Bacteriostático, que impede que as bactérias se desenvolvam: carlina, angélica, líquen-da-islândia, velosilha, mastruço, capuchinha.

Béquico ou antitússico, que acalma a tosse: belcho, malva, drósera, hera-terrestre, hera, verbasco, violeta, serpão, tomilho, tussilagem.

Biocatalizador, corpo cuja presença acelera as reacções vitais (fermentos, hormonas, vitaminas, oligoelementos): cenoura, alface, malva, alfafa, agrião, salsa, groselheira-negra, roseira-silvestre, tomate, espinafre, alfova.

Cardiotónico, que tonifica o coração: cebola, alho-comum, goiveiro-amarelo (aleli), espinheiro, aveia, pulsatila, convalária, loendro, nenúfar-branco, cebola-albarrã.

Carminativo, que previne a formação de gases no tubo-digestivo ou provoca a expulsão dos mesmos: mil-em-rama, reva-Luísa, alcaravia, funcho, macela, hortelã-pimenta, anis, valeriana.

Cicatrizante, que promove a formação de uma cicatriz: consolda, linho, arnica, chorão.

Colagogo, que activa a saída da bílis contida na vesícula Biliar: agraço, agrimónia, centáurea-menor, chicória, cardo-santo, alcachofra, cardo-burriqueiro, artemísia.

Coletérico, que activa a produção de bílis: absíntio, dente-de-leão, maravilha, marroio, hortelã-pimenta.

Cutâneo, da pele, por exemplo, afecção cutânea: linho, bétula, arnica, maravilha, macela, sálvia.

Depurativo, que purifica o organismo: dulcamara, abrunheiro, espinheiro-cerval, nogueira, bétula, mercuriais, vara-de-ouro, amor-perfeito, angélica, bardana-maior, helénia, sálvia, gramão, urtiga-menor.

Diaforético, que faz transpirar: urtiga-morta, sabugueiro, primavera, verbasco, amor-perfeito, macela, tília, pulmonária-manchada.

Diurético, que activa a eliminação da urina: cerefólio, urze, bolsa-de-pastor, cavalinha-maior, espinheiro-amarelo, urtiga-morta, argentina, arruda, sabugueiro, cebola-albarrã.

Emenagogo, que regulariza e facilita os períodos menstruais: as plantas com essências.

Emético, que provoca o vómito: as plantas amargas tornam-se eméticas quando se força a dose.

Emoliente, que diminui a inflamação dos tecidos irritados: linho, malvaísco, borragem, tanchagem, zaragatoa, roseira-castelhana, tussilagem.

Espasmolítico, que combate os espasmos: absíntio, macela-romana, artemísia, maravilha, alcaravia, macela, hortelã-pimenta, sálvia.

Estimulante, que excita e aumenta temporariamente a actividade nervosa ou muscular: pimento, tabaco, visco, agrião, salsa, groselha-negra, roseira-silvestre, alfavaca, alecrim.

Autora: Ana Rita Lopes, Especialista de Medicina Tradicional Chinesa e equipa ESMTC (2021)

Compor uma fórmula de Fitoterapia


Cada planta tem uma função própria

A construção de uma fórmula na Fitoterapia obedece a uma hierarquia, onde cada planta tem uma função própria.

A prática da Medicina Chinesa consiste na teoria, estratégia, fórmulas e substâncias usadas. Uma fórmula é feita através da configuração particular de cada substância e a sua aplicação é ditada segundo os princípios de organização da estratégia do tratamento.

A fórmula escolhida deve ser coerente com a estratégia do tratamento. Se não o for, as condições do paciente não melhoram ou podem piorar.

As fórmulas da Medicina Chinesa não são meras colecções de substâncias medicinais em que a acção de uma planta é simplesmente adicionada a outras. As fórmulas são compostas de substâncias que se interrelacionam, tendo cada substância uma acção que afecta as acções das outras substâncias da fórmula.

É esta complexa interacção que torna uma fórmula tão efectiva, mas também as torna mais difíceis de estudar.

Cada substância medicinal tem uma determinada acção, uma determinada força e as suas fraquezas.

Uma fórmula efectiva é aquela em que as substâncias são cuidadosamente equilibradas para acentuar as forças (acções) e reduzir os efeitos colaterais. A combinação de substâncias numa fórmula cria um agente terapêutico novo, capaz de tratar mais efectiva e completamente que uma simples substância.

Para se compreender como as substâncias interagem umas com as outras, é preciso compreender as acções e as características de cada substância. É necessário ficar familiarizado com determinadas combinações, as quais são como os alicerces das fórmulas.

Construir uma fórmula efectiva é mais do que juntar as substâncias médicas. É preciso conhecer e seguir um princípio de construção, para que os ingredientes fiquem combinados de uma forma equilibrada e efectiva. Esta construção, esta forma de combinar as fórmulas, é conhecida por Hierarquia.

 

A Hierarquia numa Fórmula de Fitoterapia

Na sociedade Chinesa antiga havia uma consciência muito forte das classes sociais ou, mais precisamente, dos postos militares, em que o Imperador e a sua corte eram o principal, o topo. Por essa razão os termos usados para classificar as substâncias numa fórmula são baseados nesta ordem da corte. Os 4 “postos”, ou seja, as 4 nomenclaturas dadas são: Imperador (Jun), Ministro (Chen), Assistente (Zuo) e Mensageiro (Shi).

Imperadora (Monarca, chefe, rei, principal, governador) é toda a substância que tem o efeito mais forte e que actua directamente contra a síndrome principal ou doença. Esta substância é absolutamente indispensável numa fórmula.

Ministra (Deputado, ajudante, associado) refere-se a duas funções diferentes: a) Ajuda a planta Imperadora a tratar a síndrome principal ou doença. b) Actua como a substância principal directamente contra um síndrome coexistente ou doença.

Assistente (Ajudante) refere-se a 3 funções: i)  Reforça os efeitos da substância Imperadora ou Ministra, ou trata directamente um aspecto menos importante da síndrome ou doença. Nesta capacidade é conhecida como Assistente útil (zuo zhu); ii) Modera ou elimina a toxicidade da Imperadora ou Ministra, ou modera as suas propriedades ásperas. Nesta forma é conhecida como Assistente correctiva (zuo zhi) e iii) Tem um efeito oposto à Imperadora e é usada em doenças sérias e complexas. Nesta forma é conhecida como Assistente oposta (zho fan)

Mensageira (enviado, guia, condutor) refere-se a 2 funções diferentes: a) Foca as acções da fórmula num determinado canal ou meridiano ou numa determinada área do corpo e b) Harmoniza e integra as acções das outras substâncias

Nem todas as fórmulas têm a hierarquia completa. É até mesmo difícil encontrar uma fórmula que contenha os vários tipos de Ministros, Assistentes e Mensageiros. Algumas fórmulas consistem numa Imperadora e numa ou duas Ministras. Se as Imperadoras e Ministras não forem tóxicas, não haverá necessidade de existirem substâncias Assistentes correctivas. Às vezes a Imperadora foca-se no nível e local da doença, não necessitando de uma substância Mensageira.

Autora: Ana Rita Lopes e equipa ESMTC (2021)

 

Evento – Verão com Chi Kung


Toda a comunidade está convidada

Visite-nos!

Inscreva-se no formulário em abaixo

Horário do evento APCKTT:

  • 9h – Feira das Diversidades – “A pensar no seu bem estar”
  • 10h-12h – Chi Kung Terapêutico – “Fortalecer o coração para a expansão consciente”
  • 12h10-13h – Chi Kung Marcial – “Libertar a euforia e a ansiedade”
  • 15h-15h30 – Dinâmica – “Abrir novos caminhos”
  • 16h30-17h20 – “Dança das emoções”

Entrada no evento tem um custo de 2€ – Lugares limitados reserve a sua vaga

    Nome

    E-mail

    O Qi ou energia


    A expressão Qi usa-se para denominar as substâncias essenciais que mantêm a vitalidade do corpo. São vários os tipos de Qi ou energia que existem. Conheça-os neste artigo

    Na filosofia tradicional chinesa é a substância fundamental que constitui o universo e todos os fenómenos são criados por alteração dos movimentos do Qi ou energia. Este protege-nos da doença e mantém o nosso corpo quente. O Qi é yang e o sangue é yin e é ele que cria todos os nossos movimentos. Protege-nos dos agentes patogénicos externos e exerce uma actividade de controlo e transformação.

    A expressão Qi usa-se para denominar as substâncias essenciais que mantêm a vitalidade do corpo.

    O Qi é único mas as suas representações são múltiplas e, na prática, podemos associar-lhe um qualificativo que determinará a sua localização e função.

    Podemos classificá-lo de acordo com a sua origem, função e distribuição. De acordo com a origem conhecem-se dois tipos:

    • O Qi ou energia, congénito ou pré natal.
    • O Qi ou energia, adquirido ou pós natal.

    Cada um deles depende do outro para a sua produção e manutenção. O Qi congénito é herdado dos pais e actua com força essencial para manter as actividades da vida.

    O Qi ou energia pós natal apresenta 4 tipos:

    Yuan Qi

    Formado pelo Qi pré natal e posteriormente pelo Qi adquirido com a alimentação depois do nascimento. O Yuan Qi situa-se na região chamada Ming Men ou porta da vida, na parte posterior do tronco à altura dos rins (entre a 2ª e a 3ª lombares) sendo transportado por todo corpo pelo triplo aquecedor .

    Quando este Qi é abundante os órgãos internos e o tecido do corpo funcionam normalmente, o corpo humano poderá manter a saúde e raramente sofrerá doenças. Por outro lado, uma enfermidade prolongada debilitará o Yuan Qi provocando alterações fisiológicas no corpo.

    Ying Qi ou Qi nutritivo

    É Qi ou energia, que se obtém dos alimentos, circula pelos meridianos do corpo e a sua função é a formação de sangue e fluidos essenciais.

     

    Zong Qi ou Qi peitoral

    Forma-se pela combinação do ar inalado pelos pulmões e pelo Qi nutritivo proveniente do estômago e do baço. Este deposita-se nos pulmões e tem como funções controlar a respiração, regular a voz e assistir o coração na sua função de controlar os canais sanguíneos.

     

    Wei Qi ou Qi defensivo

    Deriva do Qi nutritivo, circula fora dos meridianos e a sua função consiste em proteger a superfície muscular, controlar o abrir e o fechar dos poros e manter a humidade da pele e do cabelo. Como o seu nome indica defende o corpo dos factores externos patogénicos tais como o vento, humidade, calor, etc.

    Os órgãos internos e os meridianos têm também o seu próprio tipo de Qi que se origina do Yuan Qi, Ying Qi, Zong Qi. O Qi deve circular por todo corpo e o seu movimento mudar de polaridade.

     

    O exercício para o cultivo do Qi chama-se chikung.

    Esta “ginástica energética” milenar está baseada na ideia de que o Qi pode ser influenciado pela respiração, pelo movimento e pela mente.

    O Qi é controlado pelo DanTien médio que se encontra situado no centro do peito.

     

     

     

     

    A teoria médica chinesa estabelece que o Qi depende da respiração para a sua circulação.

    Autor

    Deolinda Fernandes, ESMTC. (Especialista de Medicina Tradicional Chinesa).

    Esvaziar a taça


    Depois de ter percorrido a Índia, Bodhidharma foi à China e instalou-se numa região onde vivia um sábio cuja reputação e sabedoria haviam seduzido todos os seus habitantes e mais além. O seu saber era tão vasto…

    O Cravo em MTC


    O cravo é símbolo do Dia das Mães e o cravo vermelho é, em Portugal, símbolo da Liberdade e da Revolução de 25 Abril de 1974. As suas flores são cultivadas há mais de 2.000 anos. Os cravos são comestíveis e maravilhosos em chás e infusões, comumente são usados em infusões para ajudar a aliviar o stress, a depressão e o nervosismo. São também populares no tratamento de infecções do tracto urinário.

    O que é

    Propriedades

    Como se utiliza

    Modo e quantidade de administração

    Como se conserva

    Classificação na Medicina Tradicional Chinesa

    Meridianos onde actua

    Nome botânico

    Nomes vulgares

    Precauções e contra-indicações

    #O que é

    O nome latino, Dianthus, deriva da língua grega, que significa “flores dos deuses”. O termo latino “carnatio” vem de carne e o “Caryophyllus” significa cravo, referindo-se ao perfume de flores de cravo. A espécie selvagem original tem pétalas esfarrapadas, dando origem a outro de seus nomes comuns, que também é a raiz do nome, “tesoura de picotar” ou tesoura.

    Os cravos simbolizam afeto, saúde, energia e a pureza do amor de uma mãe. Tradicionalmente, eles eram dados nos Aniversários de casamento, usados em casamentos e dados no Dia das Mães. Os cristãos dizem que o cravo rosa brotou das lágrimas da Virgem Maria e, portanto, representa o amor eterno de uma mãe por seu filho. Na China antiga, o chá de flor de cravo era amplamente usado para acalmar e relaxar o corpo e o espírito, bem como revigorar o Qi ou a força vital do corpo. São usados na China para ajudar a expulsar vermes. Os chineses geralmente usam a parte aérea da planta crua quando usam o cravo como remédio.

    #Propriedades

    Antiespasmódico, Estimulante, Anti-inflamatório, Relaxante, Hemagogo, Febrífugo, Diurético, Diaforético.

    #Como se utiliza

    As partes mais utilizadas: flores, pétalas, raízes, folhas.

    Modo e quantidade de administração

    O cravo está disponível em pílula, pó ou decocção. Algumas ervanárias também vendem extractos concentrados de cravo. As sementes de cravo também podem ser adquiridas em viveiros e cultivadas no jardim, mas devem ser usadas apenas para fins ornamentais. A dosagem típica é de 3-10 g por dia, tomada como decocção, pílula ou pó. Alguns especialistas recomendam uma dose um pouco mais alta (6-12 gramas).

    #Como se conserva

    A planta é usada fresca e seca. Conserva-se secando, num local escuro e seco.

    #Classificação na Medicina Tradicional Chinesa

    É de natureza fria. O sabor é amargo.

    #Meridianos onde actua

    Bexiga, Coração, Intestino Delgado

    Drena a Humidade Calor. Promove a Micção. Remove a Estase: disfunção urinária, especialmente disfunção urinária dolorosa com sangue quando há envolvimento de calor. Remove a Estase de Sangue: usada como erva auxiliar para amenorreia devido a estase de sangue. Desbloqueia os intestinos (obstipação).

    #Nome vulgar

    Cravo (Qu Mai)

    #Nome botânico

    Ocidente – Dianthus caryophyllus. Oriente – Dianthus chinesis, D. superbu.

    #Precauções e contra-indicações

    A sua toma em excesso pode provocar contracções uterinas, por isso é desaconselhável em grávidas e lactantes.

    Fontes

    Whiterabbit Institute of Healing.com,  Carnation

     

    Autoria

    Equipa ESMTC 2021

    Raiva – a Emoção do Elemento Madeira


    O Fígado pertence ao Elemento Madeira cuja estação é a Primavera. É na Primavera que as flores nascem, que a vida, lentamente, começa a brotar do seu hibernamento. A raiva entendida como impulso para a acção é a força motriz da criação da vida. A iniciativa e o dinamismo realizador permitem-nos ultrapassar os obstáculos que encontramos no decurso da nossa existência. 

    O Ritmo Circadiano em Medicina Chinesa


    Os horários adiantam 1 hora ao avançarmos na estação primaveril, é tempo de alguns ajustes. Desvendamos-te o relógio biológico segundo a Medicina Tradicional Chinesa, o horário em que cada órgão/sistema e seu meridiano recebe a energia nutritiva e por isso estão mais favorecidas certas actividades relacionadas com a função do órgão. Também se infere daqui que há um horário em que o órgão está com menos circulação energética, ou “vazio” (“-“), que será o horário oposto ao da sua maré energética (período de energia “+” abundante):

    5:00 às 07:00    Intestino Grosso (+) Rins (-)
    07:00 às 09:00 Estômago (+) Pericárdio (-)
    09:00 às 11:00  Baço-Pâncreas (+) Triplo Aquecedor (-)
    11:00 às 13:00   Coração (+) Vesícula Biliar (-)
    13:00 às 15:00   Intestino Delgado (+) Fígado (-)
    15:00 às 17:00   Bexiga (+) Pulmão (-)
    17:00 às 19:00   Rins (+) Intestino Grosso (-)
    19:00 às 21:00   Pericárdio (+)Estômago (-)
    21:00 às 23:00   Triplo Aquecedor (+) Baço-Pâncreas (-)
    23:00 às 01:00  Coração (+) Vesícula Biliar (-)
    01:00 às 03:00  Fígado (+) Intestino Delgado (-)
    03:00 às 05:00  Pulmão (+) Bexiga (-)

    O Ciclo circadiano

    O ritmo ou ciclo circadiano (do latim circa = cerca de + diem = dia) designa o período de aproximadamente 24 horas sobre o qual se baseia o ciclo biológico de quase todos os seres vivos, sendo influenciado principalmente pela variação de luz e da temperatura entre o dia e a noite. Este ciclo regula todos os ritmos fisiológicos e psicológicos do corpo humano, influenciando, por exemplo, a digestão, o estado de vigília e sono, a renovação das células e o controle da temperatura do organismo.

     

    Ying Qi

    Na Medicina Tradicional Chinesa, o relógio dos órgãos descreve a circulação do “Ying Qi” ou Chi Nutritivo pelos meridianos destes órgãos, ao longo do dia.  Segundo o Su Wen, cap. 43:

    O Ying Qi é a essência dos alimentos. Acomodado pelas vísceras (Fu), é distribuído pelos órgãos (Zang) antes de ser introduzido nos vasos, ele atravessa as vísceras e atinge os órgãos.

    Circula com o sangue nos vasos e mantém com ele, relações extremamente estreitas. Podemos distingui-los, mas não se pode separá-los. Sua atuação é de nutrir o corpo inteiro. O Ying Qi circula com o sangue e percorre o organismo seguindo os meridianos, num duplo movimento que realiza uma revolução em cada 24 horas.

     

    Hábitos de Harmonização

    Deixamos alguns hábitos, a título de sugestão, que seguem este ritmo, respeitando os horários em que a energia de cada orgão/sistema está mais disponível.

    5:00 às 07:00 – Acordar, mover, meditar

    07:00 às 09:00 – Sexo, pequeno-almoço, caminhar, digerir

    09:00 às 11:00 – Trabalhar, melhor concentração

    11:00 às 13:00 – Comer principal refeição dia, caminhar

    13:00 às 15:00 – Digestão, sesta curta, trabalhar

    15:00 às 17:00 – Trabalhar ou estudar

    17:00 às 19:00 – Exercício, jantar leve

    19:00 às 21:00 – Leitura leve, massagem aos pés

    21:00 às 23:00 – Socialização tranquila, flirt, sexo

    23:00 às 01:00 – Ir dormir, reparação celular

    01:00 às 03:00 – Sono profundo, detox Fígado e sangue

    03:00 às 05:00 – Sono profundo, sonhos, detox Pulmão

     

    Equipa ESMTC, 2021

    Defesa Mestrado do Prof. Pascoal Amaral em Saúde Pública e Desenvolvimento


    A ESMTC deseja os parabéns ao Professor Pascoal Amaral pela sua prova de Mestrado “Perfil epidemiológico de procura dos utilizadores de Medicina Tradicional Chinesa na Região da Grande Lisboa”, superada com sucesso no dia 23 de Março de 2021 perante Júri, como arguente esteve também a Prof. Ana Varela. O estudo que desenvolveu no âmbito do Mestrado em Saúde Pública e Desenvolvimento no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa incidiu sobre uma amostra de 478 pacientes do Centro de Consultas da ESMTC.

    Algumas das conclusões do seu estudo foram:

    • Os utilizadores de Medicina Tradicional Chinesa são tendencialmente mulheres, nacionalidade portuguesa, adultos, trabalhadores, e residem nas proximidades do concelho de Lisboa. Acredita-se ainda que terão níveis de educação superiores e condições económicas elevadas.
    • Tendem a apresentar doenças crónicas, comorbilidade e dor, e a manifestar melhorias na queixa principal após o 1º tratamento
    • As doenças mais comuns entre os utilizadores são as doenças do sistema musculoesquelético ou do tecido conjuntivo, os transtornos mentais, comportamentais ou do neurodesenvolvimento e as doenças do sistema nervoso.
    • Tendo em conta o panorama internacional, observa-se a subutilização e subvalorização da utilização em crianças, jovens e em determinados grupos de doenças (doenças do sistema circulatório, doenças do sistema respiratório, doenças do sistema geniturinário, doenças do sistema digestivo e neoplasias).
    • É necessário investir na garantia do acesso universal aos cuidados, no aumento da literacia da área, na melhoria de relações interprofissionais, no aumento da investigação e na compreensão dos ganhos sociais, culturais e económicos.

    Desejamos as maiores felicidades e os parabéns de toda a Escola pelo contributo na divulgação da Medicina Tradicional Chinesa e por levá-la (ainda) mais longe com este trabalho de investigação.

     

    Equipa ESMTC, 2021

    Transforma-te num Rio


    Estórias do Oriente

    Episódio #2 Podcast ESMTC

     

    Buda atravessava uma aldeia e as pessoas aproximavam-se dele e insultavam-no. Elas empregavam todas as palavras insultuosas que conheciam – todos os palavrões que sabiam.

    Buda ficou ali, a ouvir em silêncio, atentamente, e depois disse:

    “Obrigado por virem ao meu encontro, mas estou com pressa. Tenho de ir para a próxima aldeia, as pessoas estão à minha espera. Não posso dispensar-vos mais tempo hoje, mas amanhã, quando regressar, terei mais tempo. Poderão reunir-se de novo e se alguma coisa ficou por dizer, poderão fazê-lo amanhã. Mas hoje terão de me desculpar.”

    Aquela gente nem queria acreditar no que os seus ouvidos tinham escutado, no que os seus olhos tinham visto: aquele homem permaneceu absolutamente impassível, imperturbável.

    Então, uma delas perguntou:

    “Não nos ouviu? Temos estado a ofendê-lo de todas as maneiras e você nem sequer respondeu.”

    Buda retorquiu:

    ” Se queriam uma resposta, então chegaram demasiado tarde. Deveriam ter vindo há dez anos, na altura em que eu vos teria respondido. Mas durante esses dez anos deixei de ser manipulado pelos outros. Já não sou um escravo, sou o meu próprio dono. Atuo de acordo com a minha paz interior. Não me podem forçar a fazer uma coisa. Está tudo bem – quiseram ofender-me, pois ofenderam. Sintam-se realizados; fizeram o vosso trabalho muito bem feito. Mas no que me diz respeito, não aceito os vossos insultos e, a menos que os aceite, eles perdem qualquer significado quando penetram na minha paz interior.”

    Quando alguém o insulta, se se torna um receptor, se aceita o que essa pessoa diz, só poderá reagir e entrar no estado do outro.
    Mas se não aceitar, se simplesmente permanecer indiferente, se mantiver as distâncias, se ficar calmo, o que pode essa pessoa fazer?

    Buda disse:

    ” Alguém pode atirar uma tocha em fogo para o rio. Ela permanecerá a arder até atingir a água. Assim que cair no rio, todo o fogo se extinguirá – o rio arrefece-a. Pois eu tornei-me um rio.
    Vocês atiraram-me ofensas – elas são fogo quando as atiram, mas mal me atingem o seu fogo perde-se na minha frieza. Elas já não doem. Vocês atiram espinhos, mas ao caírem no meu silêncio eles convertem-se em flores. Eu actuo fora da minha própria natureza intrínseca.”

     

    Ficha técnica

    Título: Transforma-te num rio

    Sonoplastia: ESMTC

    Contadora desta estória: Inês Lomba