Defesa Mestrado do Prof. Pascoal Amaral em Saúde Pública e Desenvolvimento


A ESMTC deseja os parabéns ao Professor Pascoal Amaral pela sua prova de Mestrado “Perfil epidemiológico de procura dos utilizadores de Medicina Tradicional Chinesa na Região da Grande Lisboa”, superada com sucesso no dia 23 de Março de 2021 perante Júri, como arguente esteve também a Prof. Ana Varela. O estudo que desenvolveu no âmbito do Mestrado em Saúde Pública e Desenvolvimento no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa incidiu sobre uma amostra de 478 pacientes do Centro de Consultas da ESMTC.

Algumas das conclusões do seu estudo foram:

  • Os utilizadores de Medicina Tradicional Chinesa são tendencialmente mulheres, nacionalidade portuguesa, adultos, trabalhadores, e residem nas proximidades do concelho de Lisboa. Acredita-se ainda que terão níveis de educação superiores e condições económicas elevadas.
  • Tendem a apresentar doenças crónicas, comorbilidade e dor, e a manifestar melhorias na queixa principal após o 1º tratamento
  • As doenças mais comuns entre os utilizadores são as doenças do sistema musculoesquelético ou do tecido conjuntivo, os transtornos mentais, comportamentais ou do neurodesenvolvimento e as doenças do sistema nervoso.
  • Tendo em conta o panorama internacional, observa-se a subutilização e subvalorização da utilização em crianças, jovens e em determinados grupos de doenças (doenças do sistema circulatório, doenças do sistema respiratório, doenças do sistema geniturinário, doenças do sistema digestivo e neoplasias).
  • É necessário investir na garantia do acesso universal aos cuidados, no aumento da literacia da área, na melhoria de relações interprofissionais, no aumento da investigação e na compreensão dos ganhos sociais, culturais e económicos.

Desejamos as maiores felicidades e os parabéns de toda a Escola pelo contributo na divulgação da Medicina Tradicional Chinesa e por levá-la (ainda) mais longe com este trabalho de investigação.

 

Equipa ESMTC, 2021

Funções dos Pontos de Acupunctura


Funções dos pontos de acupunctura

É natural que se pense que as funções dos pontos de acupunctura são apenas terapêuticas, mas tal não é o caso. Existem duas grandes funções para os pontos de acupunctura: diagnóstica e terapêutica.

Função diagnóstica

A função diagnóstica faz-se através da palpação. Quando o acupunctor pressiona com o dedo determinada zona do corpo, que parece seguir um caminho já determinado, procura pontos de acupunctura, de determinado meridiano, dolorosos.

Os pontos quando se apresentam dolorosos indicam a existência de um bloqueio da circulação energética daquele meridiano. Só depois, o terapeuta parte para a realização de técnicas terapêuticas. Mas a função diagnóstica dos pontos de acupunctura não se fica por aqui.

Nas nossas costas passa o meridiano da bexiga. Este vem da cabeça e quando chega ao pescoço divide-se em dois ramos: o ramo interno e o ramo externo. O ramo interno é o que tem mais importância para o diagnóstico. Aí situam-se os pontos de assentimento, como são designados, que indicam problemas em determinado órgão.

Através da sua palpação podemos saber o estado energético do órgão a que esse ponto diz respeito – se houver tensão à superfície é a energia yang desse órgão que está perturbada, se houver flacidez é a função yin do órgão.

Eles seguem uma linha vertical, paralela à linha média das costas. Como todos os pontos de acupunctura regulares têm nome próprio, função específica e pertencem a um meridiano.

O primeiro é o ponto de assentimento do pulmão, o segundo do mestre do coração, coração, fígado, vesícula biliar, baço, estômago, triplo aquecedor, rim, intestino delgado, intestino grosso e bexiga. Consoante a patologia, um destes pontos pode apresentar-se tenso à palpação, em vazio ou doloroso.

Além das funções diagnósticas também têm funções terapêuticas.

Função terapêutica

A punctura (inserção da agulha de acupunctura num ponto) ou a pressão/manipulação feita durante uma massagem sobre um ponto são acções terapêuticas sobre o ponto.

Assim numa afecção do pulmão pode puncturar-se o ponto de assentimento do pulmão, numa doença que envolva o fígado e o rim podem puncturar-se os pontos de assentimento do fígado e rim.

Outros pontos, desta feita, localizados no peito e abdómen, também tem funções diagnósticas. São designados de pontos de alarme. Estes pontos também se podem apresentar dolorosos à palpação se existir um desequilíbrio nesse órgão.

O ponto 12 do vaso de concepção é o ponto de alarme do estômago e pode ser usado durante o tratamento, em particular, para reforçar a acção do ponto de assentimento.

Os pontos de assentimento e de alarme são os pontos de diagnóstico mais usados em Medicina Chinesa. Se alguma vez for a uma consulta de Medicina Chinesa e o terapeuta decidir pressionar as costas ao longo da coluna já sabe que este está a palpar os pontos de assentimento. Faz parte do diagnóstico.

Autor

Nuno Lemos (ESMTC). Revisto pelo Dr. José Faro, adaptação ESMTC.

Celebrar a Educação


“A Educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”

                Aristóteles

Uma frase de inspiração e coragem para os nossos alunos e todos os que apostam na Formação ao longo da vida.

O dia 24 Janeiro é o Dia Internacional da Educação, pilar fundamental de uma sociedade plena e em desenvolvimento. No dia 26 Janeiro celebra-se o Dia Mundial da Educação Ambiental. Assinalamos estas datas partilhando convosco alguns momentos de aulas e de formação na ESMTC. A ESMTC dedica-se desde 1992 à divulgação e à promoção da educação na área da Medicina Tradicional Chinesa, uma medicina pela Natureza. Conheçam os nossos cursos. Continuem connosco #estamosjuntos

 

A Teoria do Yin e Yang (Prof. Ana Varela e Prof.a Lurdes Carvalho)


A Teoria do Yin e Yang é uma das teorias principais na base da Medicina Tradicional Chinesa.

As Professoras Ana Varela e Lurdes Carvalho são Professoras no Curso de MTC da ESMTC há mais de 10 anos.

 

O desenrolar de todos os fenómenos no Universo resulta de uma inter-relação entre dois estados opostos, simbolizados pelo Yin e Yang.

A primeira referência ao Yin e Yang surge no “Livro das Mudanças” (I Jing) – 700 a.C. Neste livro, o Yin e o Yang eram representados por linhas interrompidas e não interrompidas.

A combinação destas linhas pode formar:

  • 2 linhas, combinadas aos pares – os 4 estados do Yin Yang.
  • 3 linhas, ou seja o acréscimo de mais uma linha – os 8 trigramas (Ba Gua).
  • 6 linhas, combinações dos 8 trigramas – 64 hexagramas.

Os 64 hexagramas é suposto simbolizarem todos os fenómenos possíveis do Universo que, como se pode constatar, dependem da relação dos dois pólos Yin e Yang.

 Os 8 Trigramas – Ba Gua

A escola do Yin-Yang que surgiu, juntamente com outras, no período que mediou os anos 476-221 a.C., desenvolveu a teoria do Yin/Yang ao seu nível mais elevado. Dedicou-se também ao estudo dos 5 elementos ou movimentos e o seu expoente máximo foi Zou Yan (350-270 d.C.). A escola do Yin-Yang é chamada muitas vezes a escola naturalista por utilizar estas duas teorias na interpretação da natureza e das suas leis de um modo positivo. O estudo da natureza, incluindo o corpo humano e a doença, é feito não para a subjugar, mas para a compreender e beneficiar do seu envolvimento, ao agir em conformidade com ela.

Lai Zhi De TAI CHI TU (Dinastia Ming)

Lai Zhi De TAI CHI TU (Dinastia Ming)

O trabalho desenvolvido por esta escola tornou-se uma herança comum às outras escolas de pensamento nas dinastias subsequentes, nomeadamente nas dinastias Song, Ming e Qing, que integraram esse conhecimento para formar uma filosofia coerente da Natureza, da Ética, da Ordem Social e da Astrologia.

Conceito da Natureza do Yin-Yang

Os caracteres chineses para o Yin e para o Yang estão relacionados com o lado escuro e o claro de uma colina ou montanha. O caracter Yin indica o lado sombrio, escuro, ao passo que o caracter Yang indica o lado claro, ensolarado da montanha.

     Yin e Yang caracteres chineses

Yin-Yang como duas fases de um ciclo

A observação do Yin e Yang, como fases de um ciclo, resultou da observação, da natureza e dos seus ciclos de transformação por, camponeses. Deste modo, surge a observação da alternância do dia e da noite. Dia-Yang; Noite-Yin. A observação do céu (redondo) – Yang e da terra (plana) – Yin. Do céu que contém o Sol, as estrelas e a lua – e portanto significa o Tempo-Yang. Da terra que se divide em campos de cultivo e portanto é o Espaço-Yin. Como o Sol-Yang nasce a Este, Este é Yang; e como se põe a Oeste – o Oeste é Yin, etc.

Os Pontos cardeais surgem de acordo com um observador que se orienta virado para o Sul, para o Sol (imperador); em vez de para o Norte, para a terra (súbditos). Deste modo a Esquerda – é Yang, e a Direita – é Yin.

Surgem então as primeiras correspondências:

Yang Yin
Claro Escuro
Sol Lua
Claridade Sombra
Actividade Repouso
Céu Terra
Redondo Plano
Tempo Espaço
Este Oeste
Sul Norte
Esquerda Direita

Todo o fenómeno no Universo alterna de acordo com um movimento cíclico de altos e baixos, e a alteração do Yin e Yang é a força motivadora desta alteração e desse desenvolvimento. Então, o desenrolar de todos os fenómenos no Universo resulta de uma inter-relação entre dois estados opostos, simbolizados pelo Yin e Yang, e cada fenómeno contém, ele próprio, os dois aspectos em diferentes estados de manifestação Yin e Yang.

  • Yin-Yang como duas fases de transformação

De um outro ponto de vista, Yin e Yang representam dois pólos de transformação porque por eles passam todas as coisas no Universo. E ao passarem por esses dois pólos as coisas transformam-se.

A água dos lagos e dos mares (Yin) aquece e evapora-se (Yang) durante o dia para voltar a condensar-se em água. A forma pode então ser mais ou menos densa. O Yang representa o imaterial e o Yin o mais material. O Yin e o Yang também representam dois estados opostos de agregação das coisas. Então o Yang representa a energia mais pura e o Yin a energia mais densa – a matéria, e deste modo matéria e energia são um continuum com numerosos estados de agregação.

No livro das Questões Simples no capítulo 2

«Yin é quietude, Yang é acção. O Yang dá vida, o Yin fá-la crescer… O Yang é transformado em Qi, Yin é transformado em vida material.»

Como o Yang também corresponde à criação e à actividade, corresponde também naturalmente à expansão e à subida. O Yin corresponde à condensação e à materialização e naturalmente também à contracção e à descida. Então surgem novos aspectos de correspondência Yin e Yang.

Yang Yin
Imaterial Material
Produz energia Produz forma
Cria Cresce
Não substancial Substancial
Energia Matéria
Expansão Contracção
Subida Descida
Acima Abaixo
Fogo Água

A relação de interdependência do Yin -Yang pode ser representada pelo célebre símbolo chamado “diagrama do derradeiro final” (Tai Qi).

O diagrama é um arranjo simétrico entre o escuro do Yin e a luminosidade do Yang, mas esta simetria não é estática. É uma simetria embebida num sentido de rotação, sugerindo, de uma forma intensa, um movimento cíclico contínuo:

O Yang regressa ciclicamente ao seu início, o Yin atinge o seu máximo e cede lugar ao Yang.

Os dois pontos do diagrama simbolizam a ideia de que, ao alcançarem o seu máximo, as duas forças contêm em si a semente do seu oposto.

Os pontos principais da interdependência do Yin-Yang são:

a) Embora sejam estados opostos, Yin-Yang formam uma unidade e são complementares.

b) O Yang contém a semente do Yin e vice-versa.

c) Nada é totalmente Yin ou totalmente Yang.

d) O Yang transforma-se em Yin e vice-versa.

O Yin e o Yang relacionam-se num estado de equilíbrio permanente, o qual é mantido por ajustamentos dos níveis Yin e Yang.

A teoria do Yin e Yang apresenta 3 elementos-base:

1) Oposição do Yin e Yang

A oposição não é absoluta, é relativa. A qualidade Yin ou Yang não é intrínseca, mas sim em relação a outra coisa qualquer.

Por outro lado, embora todas as coisas contenham Yin e Yang estes não estão nunca presentes numa relação estática de 50/50, mas num equilíbrio dinâmico e em mudança permanente.

2) Relação recíproca do Yin e Yang

  • Interdependência do Yin e Yang

O Yin e o Yang são opostos mas não podem existir um sem o outro. A essa relação mútua designa-se “raiz recíproca”.

3) Crescimento e decrescimento do Yin e Yang

Consumo mútuo do Yin e Yang

O Yin e o Yang relacionam-se num estado de equilíbrio permanente, o qual é mantido por contínuos ajustamentos dos níveis relativos de Yin e Yang. Quando, quer o Yin quer o Yang estão desequilibrados, eles afectam-se necessariamente um ao outro, alterando a sua proporção e ocasionando um novo equilíbrio. Deste modo, para além do estado normal de equilíbrio Yin e Yang, existe uma infinidade de estados possíveis de desequilíbrio, dos quais destacamos 4 fundamentais:

  • Preponderância do Yin.
  • Preponderância do Yang.
  • Fraqueza do Yin.
  • Fraqueza do Yang.

A inter-transformação do Yin em Yang

Existem duas condições para a transformação do Yin em Yang:

a) É necessário que existam condições internas – as coisas só se transformam porque existem primeiramente condições internas para que isso aconteça e só, secundariamente, condições externas.

b) É necessário o tempo certo. O Yin e o Yang só se podem transformar um no outro num determinado estado de desenvolvimento.

Autoras: Prof. Doutora Ana Varela e Prof.a Dr.a Lurdes Carvalho, Especialistas de Medicina Tradicional Chinesa, ESMTC

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Yuan, Jing e Zong – O Céu, a Terra e o Ser Humano – Parte 3 (Prof. Juvenal Branco)


São 3 as energias hereditárias: a que vem do Cosmos, a essência vital do nosso corpo e a que está ligada a todos os ritmos biológicos. Descubra-as.

As 3 energias hereditárias (Yuan, Jing, Zong)

Dizer que o Ser Humano é o ponto de contacto entre o Céu e a Terra significa que é também o elo de uma cadeia que liga o infinito do Céu ao infinito da Terra. É um modo para exprimir a eternidade.

Os chineses exprimem esta ideia da vida transmitida de um ser ao outro, desde tempos infinitos, através de uma ideia dinâmica: a dos sopros hereditários ou energias ancestrais.

As energias ancestrais ou hereditárias são três, como tudo aquilo que se refere à Criação. Na numerologia chinesa, três é o número que define os meios na origem de cada Criação. Estas energias são chamadas: Yuan, Jing e Zong.

 

Yuan

Significa “o que surge”, representa o mistério da vida, aquela energia formidável que vem do Cosmos e faz com que, da união de duas células, nasça um ser vivo. É esta mesma força que preside à formação da Terra, das plantas, das estrelas, à criação do Homem, dos animais, etc.

Com efeito, Yuan é a vida que nos é dada, que tem uma duração limitada, definida e que cada ser, mediante uma certa disciplina de vida, deveria procurar levar até ao fim que lhe está fixado, sem a desperdiçar com excessos de fadiga, sentimentos, alimentos, bebidas, etc. Yuan pertence ao “Céu anterior“, que é origem e fim de cada coisa.

Jing

É a essência das coisas; é a essência vital das duas células primordiais, óvulo e espermatozóide, cuja fusão não será produtiva, senão graças à intervenção de Yuan.

Jing existe em todas as coisas e é a origem de cada coisa. É o ovo, do qual emana cada vida, que será mantida pela indução dos outros jings, provenientes tanto da alimentação como da respiração. Contrariamente ao yuan, que é energia pura, jing representa a matéria-prima, indiferenciada, o material de base de cada coisa, a substância fundamental, da qual será formada cada célula do nosso corpo. Porém, só será vital depois depois de ter sido animada pela energia vital yuan. Jing tem a sua origem no “Céu anterior” e mantém-se activo graças ao “Céu posterior“.

Zong

O ideograma que representa Zong significa “ancestral”. É representado pela hereditariedade transmitida de pai para filho. Porém, não se trata somente de uma hereditariedade no sentido biológico do termo, que se traduz por um certo aspecto tipológico, fisiológico ou patológico. Zong é também o que faz com que um ser pertença a uma raça, a um clã, a uma família, com hábitos, costumes e modos de ser. Por isso, Zong está ligado, no corpo, a todos os ritmos biológicos e, em particular, aos mais visíveis, que são a respiração e a circulação do sangue. Zong pertence ao “Céu posterior”. Provém dos progenitores e vai sendo mantido activo no corpo, graças à alimentação e à respiração que têm uma importância essencial na manutenção das características vitais.

 

Prof. Guilherme Juvenal Branco, acupuntor e especialista de Medicina Tradicional Chinesa, precursor da Dietética Chinesa em Portugal (revisão equipa ESMTC, 2020)

 

Ler também

As origens do Chi - O Céu, a Terra e o Ser Humano - Parte 1 

As origens do Chi - O Céu, a Terra e o Ser Humano - Parte 2  

 

Céu Anterior e Céu Posterior – O Céu, a Terra e o Ser Humano – Parte 2 (Prof. Juvenal Branco)


O Ser Humano contém em si, a imagem do Céu e da Terra

Vejamos como o Ser humano é colocado entre o Céu e a Terra. O Céu é o “em cima” e a Terra é o “em baixo” das criaturas que estão contidas no Yin e Yang.

O Ser humano nasce da Terra e o seu destino vem-lhe do Céu, segundo o “Huang Di Nei Jing Su Wen” – o Livro clássico do Imperador Amarelo. O Céu é Yang, a Terra é Yin e o Ser humano com os pés sobre a Terra e a face em direcção ao Céu, observa o jogo do Yin/Yang, da criação e da destruição sem fim.

O Ser humano é o terceiro pólo da trindade criadora, resultado da união de yin (óvulo) e yang (espermatozóide) que necessita do Céu (do ar, Yang) e da Terra (isto é, dos alimentos) para manter a vida que lhe é concebida pela duração de um ciclo Yin/Yang.

O Ser humano contém em si a imagem do Céu e da Terra. No “Huang Di Nei Jing Su Wen” podemos ler: “a combinação das emanações celeste e terrestre chama-se ser humano”.

No plano da sua formação, a Terra fornece o material necessário à construção do corpo humano. As “energias” ou “sopros do Céu” modificam a matéria para lhe dar o seu aspecto definitivo. Desta união nasce uma terceira força chamada shen (o “espírito”). É assim que os chineses descrevem o arquétipo humano. Reparamos, curiosamente, que este conceito não é distante daquele contido no Antigo Testamento, pelo qual o Homem é feito de argila modelada, à qual Deus transmite a vida através do seu sopro.

Este conceito de formação do arquétipo humano – do ser humano em potencial – desenvolve-se naquilo que os chineses chamam o “Céu anterior”.

Céu anterior e Céu posterior

“Céu anterior” e “Céu posterior” são um par dialéctico utilizado frequentemente nos textos filosóficos e médicos chineses.

O “Céu anterior” corresponde às energias pré-existentes que presidiram à concepção de um ser. Representa a força que continua a ser efectiva e actuante ao longo de toda a vida. As componentes hereditárias são exemplo disso.

O “Céu posterior”, por sua vez, aparece a partir do momento de concepção e continua a sua acção durante toda a existência do indivíduo. Por seu lado, a alimentação, pertence à esfera do “Céu posterior”, devido à energia que oferece ao ser humano.

Resumindo: consideram-se habitualmente as energias inatas como pertencentes ao “Céu anterior” e as energias adquiridas como pertencentes ao “Céu posterior”.

Prof. Guilherme Juvenal Branco (revisão equipa ESMTC, 2020)

 

Zong - caractere chinês

As origens do Chi – O Céu, a Terra e o Ser Humano – Parte 1 (Prof. Juvenal Branco)


Viver é ter Chi em todas as partes do corpo, morrer é perdê-lo. O Chi ou “energia vital” provém de 3 origens: dos progenitores, do alimento e do ar (oxigénio).

Excesso de Chi ou deficiência de Chi? Nenhuma destas condições nos servem. O excesso entope e a deficiência esvazia. E o que é o Chi ou “energia vital”? Para a Medicina Tradicional Chinesa designa-se por Qi (chi), para os japoneses ki, para os hindus prana, algo que diferencia a vida da morte, o que tem shen (alma, espírito) do que não tem.

    Qi – caractere chinês

O conceito de Chi harmonioso engloba todos os contrastes e, este equilíbrio interno, completado pelo equilíbrio com o meio externo, gera a vitalidade positiva, que protege o corpo dos factores negativos ou adversos. As doenças resultam do conflito entre o Chi e esses factores.

As 3 origens do Chi

A primeira origem está nos progenitores, no momento da concepção. Vai sendo gasta ao longo da vida e não se renova, a segunda vem dos alimentos que comemos e a terceira do ar que respiramos.

No Ocidente, o Chi pode soar como algo abstracto mas, na prática da Medicina Tradicional Chinesa, ele é uma realidade física, que pode ser manipulada por um mestre e por quem se dedique à prática do Chi Kung.

Basta ao Especialista de MTC sentir o pulso do paciente para saber se os meridianos estão em plenitude (cheios) ou em deficiência (vazios). E o que isso significa. Assim, uma gravidez de duas semanas pode ser diagnosticada através da tomada do pulso.

A suprema arte da manipulação do Chi, ou da energia vital, chama-se Chi Kung (qigong). Pode ser aprendida e exercida por todos. Quando é desenvolvida ao longo de anos e praticada continuamente, geralmente por mestres, estes conseguem tornar os seus corpos resistentes como o aço e emitir vibrações que lhes permitem partir blocos de pedra. Quando utilizam essa arte na medicina, actuam sobre o sistema energético do paciente, abrindo novos campos para o tratamento e cura.

Quem não é mestre de Chi Kung nem Especialista de MTC também pode perceber as variações do fluxo energético. Como? Através das suas manifestações mais evidentes: os sintomas.

Um jardineiro percebe que uma planta está doente e relaciona esse facto com as condições de sol, sombra, água, terra ou vento. Uma pessoa sensível (sem necessitar de qualquer tipo de habilitação académica) poderá, a partir da sabedoria chinesa, descobrir os seus pontos vulneráveis e observar a sua própria natureza.

Prof. Guilherme Juvenal Branco (revisão equipa ESMTC, 2020)

 

 

Vídeo “Aluno por um Dia 2019”


O evento “Aluno Por Um Dia” da ESMTC realizou-se no dia 12 de Setembro 2019. Um dia especial para descobrir como é ser aluno de Medicina Tradicional Chinesa na nossa Escola. Aqui podes ver um pouco:

Os participantes puderam experimentar e ver como funciona o nosso método de ensino, único em Portugal, e demos a conhecer as 5 áreas principais da Medicina Tradicional Chinesa: Acupunctura, Massagem Tui Na, Chi Kung, Fitoterapia e Dietética.

Com esta experiência, os participantes descobriram o porquê dos nossos alunos figurarem como os melhores profissionais de MTC.

Junta-te a nós!

#ApoioAMedicinaChinesa


Muitas e diversas opiniões existem sobre a eficácia, a segurança e a confiança a depositar na Medicina Tradicional Chinesa. Oiça quem colocou a sua saúde nas mãos de um especialista de Medicina Tradicional Chinesa. Oiça os testemunhos reais de quem recorreu, conhece e, por isso, recomenda e confia.

A ESMTC lança o repto para que mais vozes se juntem às nossas.

Veja o teaser e o vídeo integral de um filme produzido por quem ama a Medicina Tradicional Chinesa com a participação de quem recorreu a ela e isso fez toda a diferença na(s) sua(s) vida(s).

Teaser (1min)

 

Vídeo Integral (7min)

 

“Nós apoiamos a Medicina Tradicional Chinesa”

Participação e Testemunhos de Ana Tang, Leonor Santos, Luís Pinto, Maria Teixeira e Rui Rebelo
Coordenação, Produção e Edição_Marina Nobre
Difusão e Assistência de Produção_Carina Lourenço
Direcção e edição_Jorge Castro Freire
Assistente de direcção e Segunda Câmera_Amanda Boussard
Música_”Kutch Nahi” Terrakota
Texto informativo_José Faro
Foto_Jing Fang Classics

Iniciativa: ESMTC – Escola de Medicina Tradicional Chinesa, 2019

 

Quem juntar a sua voz às nossas vozes? Esteja atento.

Em breve + detalhes sobre esta campanha #ApoioAMedicinaChinesa